O Tribunal Penal Internacional (TPI) e os seus funcionários são os vencedores do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento de 2026. O anúncio foi feito esta quinta-feira, dia 22, pela presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, em Estrasburgo. Ao apresentar a escolha, Metsola afirmou que o galardão distingue o trabalho de quem faz justiça às vítimas e garantiu que o Parlamento continuará a defender esse princípio. As palavras da presidente foram recebidas de pé pelos eurodeputados. 

A distinção chega menos de duas semanas depois de os Estados Unidos terem imposto sanções ao tribunal. A administração de Donald Trump aplicou-as a 9 de outubro ao TPI enquanto instituição, horas depois de o Comité Nobel norueguês ter atribuído o Nobel da Paz à jurista sul-africana Navi Pillay, antiga juíza daquele tribunal. As medidas cortam o acesso do TPI ao sistema financeiro norte-americano e estendem-se a quem trabalha com ele, com um período de carência de seis meses e algumas exceções. A própria Pillay afirmou que não foi coincidência as sanções terem sido anunciadas logo a seguir ao seu Nobel, vendo nelas uma reação ao facto de o prémio não ter ido para Trump.

A candidatura do TPI foi apresentada pelo grupo dos Socialistas e Democratas (S&D). A família política esperava que o prémio servisse para mobilizar apoio político ao tribunal. Depois do anúncio das sanções norte-americanas, o eurodeputado grego Yannis Maniatis, do S&D, declarou: “Estamos ao lado do TPI e dos seus funcionários”. Nem todos partilham o otimismo: no início da semana, o eurodeputado neerlandês Dirk Gotink, do PPE, disse que o prémio não vai “salvar” o tribunal. 

Metsola e os líderes dos grupos políticos escolheram o TPI entre três finalistas. Os outros dois eram o líder da oposição da Tanzânia, Tundu Lissu, detido por acusações de traição, e as irmãs iranianas Taraneh e Romina Rahimi, presas na sequência dos protestos antigovernamentais de janeiro. As irmãs, de 21 anos, foram condenadas, respetivamente, à morte e a 36 anos de prisão. 

O TPI e os seus funcionários vão receber o prémio, no valor de 50 mil euros, a 16 de dezembro, em Estrasburgo.

Batizado em homenagem ao físico e dissidente soviético Andrei Sakharov, o prémio foi criado pelo Parlamento Europeu em dezembro de 1988. Ao longo de quase quatro décadas distinguiu figuras como Nelson Mandela, o opositor russo Alexei Navalny, o povo ucraniano e, em 2023, Jina Mahsa Amini e o movimento de mulheres iranianas. Em 2025, foi atribuído aos jornalistas presos Andrzej Poczobut, da Bielorrússia, e Mzia Amaglobeli, da Geórgia.