O selecionador do Egito, Hossam Hassan, de 59 anos, mostrou-se indignado com a derrota, por 3-2 frente à Argentina, nos oitavos de final do Mundial 2026. Apontou fortes críticas à arbitragem do francês François Letexier (37) e cuspiu na direção de um adepto argentino que exibia uma bandeira de israel.
Na conferência de imprensa, Hassan não escondeu a frustração: "Não estou convencido com esse resultado. Não estou convencido com a forma como as coisas aconteceram durante esta partida", afirmou, antes de acrescentar: "Hoje fomos tratados de forma injusta. Sofremos uma injustiça."
O técnico contestou duas decisões da equipa de arbitragem: a anulação, após intervenção do VAR, de um golo que poderia ter colocado o Egito com uma vantagem mais confortável e a ausência de revisão de uma entrada dentro da área nos minutos finais do encontro.
Hossam Hassan revelou ainda que a federação egípcia já tinha manifestado reservas quanto à nomeação de François Letexier para dirigir a partida, devido ao historial do árbitro francês. Já nos descontos, o treinador viu mesmo um cartão amarelo por protestar junto da equipa de arbitragem.
"Eu apenas disse que aquilo era injusto", explicou. "Talvez ele carregue alguma cicatriz. Talvez tenha algo a esconder. Quem tem algo a esconder, às vezes, não consegue esconder aquilo que está a esconder."
O selecionador foi mais longe e garantiu que não pretende acompanhar o restante Mundial: "Fomos melhores do que os atuais campeões do mundo. Fomos superiores em tudo. Mas o resultado foi influenciado por fatores internos, dentro de campo, e por fatores externos antes mesmo do jogo", defendeu, sugerindo ainda que terá existido pressão exercida pela Argentina sobre o árbitro.
Além das críticas à arbitragem, Hassan questionou o horário escolhido para o encontro, disputado ao meio-dia em Atlanta.
"Tenho coragem de dizer que quem marca jogos para esse horário nunca jogou futebol", afirmou. "Ao meio-dia tu vais caminhar, tomar um ar, talvez fazer um brunch. Tu não entras em campo para jogar futebol."
No final, o técnico voltou a lamentar aquilo que considera ter sido um tratamento desigual, recordando que a sua equipa terminou o jogo com cinco cartões amarelos e um elemento da equipa técnica expulso, enquanto a Argentina não viu qualquer cartão.
"Tenho orgulho dos meus jogadores. Mas não recebemos aquilo que merecíamos", concluiu.
Entretanto, vários vídeos que ficaram virais nas redes sociais mostram, depois do apito final, vários adeptos argentinos a exibirem bandeiras de Israel nas bancadas. O gesto levou a que Hossam Hassan, conhecido por apoiar à causa palestiniana, cuspisse na direção do grupo de adeptos que segurava a bandeira.

















