Um juiz federal norte-americano ordenou à administração de Donald Trump, de 80 anos, que volte a permitir a entrada na Casa Branca de jornalistas da CNN, MS NOW e Politico. A decisão surge depois de os três órgãos de comunicação social terem recorrido aos tribunais contra a retirada das suas credenciais.

Timothy Kelly (57) determinou o restabelecimento dos passes de imprensa e proibiu a administração de aplicar a medida durante 14 dias, através de uma ordem de restrição temporária. O magistrado considerou que os meios de comunicação apresentaram fundamentos suficientes para justificar a intervenção judicial nesta fase do processo.

A decisão está relacionada com a retirada das credenciais na sexta-feira, dia 18, na qual Trump acusou os meios de divulgarem “ficção e mentiras” sobre a sua administração. Os três órgãos alegaram que não receberam uma notificação prévia adequada nem tiveram oportunidade de contestar a decisão antes de perderem o acesso às instalações presidenciais.

No processo, CNN, MS NOW e Politico sustentam que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa. Os meios de comunicação alegam ainda que a retirada dos passes esteve relacionada com a forma como têm noticiado a administração Trump.

A administração norte-americana apresentou uma interpretação diferente e defendeu em tribunal que o acesso dos jornalistas à Casa Branca constitui um privilégio e não um direito. Os representantes do governo também invocaram razões relacionadas com a segurança nacional para justificar a exclusão dos três meios.

A decisão de Kelly surge depois de uma audiência realizada na quarta-feira, 23, durante a qual o juiz questionou a forma como as credenciais tinham sido retiradas. O magistrado já tinha intervindo num caso semelhante em 2018, relacionado com o acesso de um jornalista da CNN à Casa Branca.

A ordem agora emitida é temporária e terá uma duração inicial de 14 dias. O processo judicial continuará, entretanto, pelo que a decisão desta quinta-feira, 24, não representa ainda uma conclusão definitiva sobre o conflito entre a administração Trump e os três órgãos de comunicação social.