Donald Trump, de 80 anos, e Xi Jinping (73) reúnem-se esta quinta-feira, dia 24, na Casa Branca, num encontro marcado pelas tensões comerciais e tecnológicas entre os Estados Unidos (EUA) e a China. A visita do Presidente chinês a Washington acontece mais de uma década depois da sua última deslocação à capital norte-americana.
Entre os temas em cima da mesa estarão a guerra de tarifas, o acesso a tecnologias avançadas, as terras raras e a Inteligência Artificial. A questão do comércio ganha, contudo, um significado particular para a América Latina, depois de a Casa Branca ter incluído nove países da região entre as mais de 40 economias identificadas num relatório sobre o chamado transbordo de mercadorias chinesas.
O documento, publicado em agosto pelo Office of Trade and Manufacturing Policy, dirigido por Peter Navarro, acusa empresas de utilizarem países terceiros para fazer chegar produtos chineses aos Estados Unidos sem suportar as tarifas aplicadas diretamente às mercadorias provenientes da China. O relatório descreve práticas como a alteração de rótulos, a reembalagem, a refaturação e pequenas operações de montagem destinadas a alterar a origem declarada dos produtos.
Entre os países identificados estão México, Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Panamá, Costa Rica e República Dominicana. A própria Casa Branca ressalva que a inclusão na lista não constitui, por si só, uma acusação formal de fraude e reconhece que o aumento das exportações de um determinado país para os Estados Unidos não prova a existência de transbordo ilegal.
Para reforçar o combate a estas práticas, a administração Trump tem vindo a aumentar os mecanismos de controlo aduaneiro. O relatório refere ainda o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial destinadas a cruzar dados sobre rotas de transporte, proprietários e capacidade de produção declarada.
IA é outro ponto de tensão
A tecnologia será outro dos temas relevantes no encontro entre Trump e Xi. Poucos dias antes da cimeira, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, reuniu-se em Nova Iorque com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, para discutir, entre outros assuntos, inteligência artificial, comércio e terras raras.
Durante essas conversações, Washington propôs a criação de um mecanismo de notificação para incidentes relacionados com IA que possam ter implicações para a segurança nacional. A ideia passa por estabelecer um canal de comunicação entre os dois países para emergências relacionadas com sistemas de inteligência artificial.
A segurança da IA ganhou peso na agenda internacional ao mesmo tempo que aumenta a competição pelo desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados. Empresas norte-americanas como a OpenAI e a Anthropic têm defendido a necessidade de mecanismos de segurança e auditorias, enquanto Washington e Pequim continuam empenhados em manter a liderança tecnológica.
Chips e terras raras completam o quadro
O acesso aos semicondutores mais avançados permanece outro dos principais pontos de tensão. Desde 2022, os Estados Unidos têm imposto restrições à exportação para a China de determinados chips e equipamentos necessários à sua produção, numa tentativa de limitar o acesso de Pequim à capacidade computacional utilizada no desenvolvimento de sistemas avançados de IA.
A administração Trump autorizou, entretanto, algumas vendas de chips Nvidia H200 à China, mas Pequim continua a investir no desenvolvimento de alternativas nacionais.
A questão dos semicondutores cruza-se com outro recurso estratégico: as terras raras. A China mantém uma posição dominante neste setor, enquanto os Estados Unidos procuram diversificar fontes de abastecimento.
A competição tecnológica e comercial ultrapassa, por isso, a relação bilateral. A presença económica da China na América Latina e o crescimento das suas relações comerciais com vários países da região fazem com que a cimeira tenha também implicações para os parceiros comerciais de Washington.
No jantar de Estado desta quinta-feira estarão ainda várias figuras de peso da economia e da tecnologia norte-americanas, incluindo Jeff Bezos, Elon Musk, Sundar Pichai, Michael Dell, Tim Cook, Jamie Dimon, Jane Fraser, Jensen Huang e Sam Altman.

















