A União Europeia (UE) importou no primeiro trimestre de 2026 o nível mais elevado de gás natural liquefeito russo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. França, Espanha e Bélgica lideraram o aumento, que foi de 16% em termos homólogos.

Segundo um relatório do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira, as compras de gás natural liquefeito russo pela UE totalizaram 6,9 mil milhões de metros cúbicos entre janeiro e março de 2026. A tendência manteve-se em abril, com um aumento de 17% face ao mesmo mês de 2025. A França destacou-se como o país europeu que mais GNL russo importou no primeiro trimestre, tendo atingido um recorde em janeiro.

Os números surgem numa altura paradoxal: a Comissão Europeia já aprovou a proibição de todas as importações de gás russo até ao outono de 2027, com o objetivo de privar Moscovo dos recursos que financiam a guerra na Ucrânia. Ainda assim, a Rússia continua a ser o segundo maior fornecedor de GNL da União Europeia, respondendo por 14% das importações totais no primeiro trimestre, atrás da Noruega com 31% e dos Estados Unidos com 28%.

Os analistas são críticos da estratégia energética europeia. "O GNL tornou-se o calcanhar de Aquiles da estratégia de segurança energética da Europa", afirmou Ana Maria Jaller-Makarewicz, analista do IEEFA, alertando para a exposição do bloco a "preços elevados e novas formas de interrupção do fornecimento". Em 2028, a UE poderá estar a depender dos Estados Unidos para 80% das suas importações de GNL, expondo o continente a uma nova forma de dependência energética que pode revelar-se tão problemática quanto a anterior.