As tempestades de janeiro e fevereiro abanaram as arribas de Porto Brandão, na Margem Sul Tejo, e expuseram um sério risco de derrocada. O perigo de desmoronamento foi a salvação da dupla Maurício Ribeiro & Sérgio Figueiredo, os únicos donos do Conta Lá. Aproveitaram o momento de aflição para abandonarem as instalações e deixarem para trás um calote de rendas ao senhorio. Um belo dia, sem aviso prévio, várias equipas de mudanças carregaram tudo para uma frota de carrinhas com destino às novas instalações no Montijo. A justificação oficial, segundo uma fonte do 24 Horas, foi o iminente perigo de derrocada. Mas a verdadeira história é outra.
Maurício Ribeiro ( à esquerda, na foto), que controla 66,67 por cento do capital de 102 mil euros através da sua empresa Baú d’Iniciativas, e Sérgio Figueiredo (à direita, na foto,) detentor do restante por meio da Plataforma Coerente, firma que criou há cinco com a namorada, Margarida Pinto Correia, preferiram bater em apressada retirada do armazém de Porto Brandão antes que uma ação de despejo os obrigasse a pôr os tarecos na rua.
Maurício & Sérgio, de resto, já estão habituados a não cumprirem contratos de arrendamento. Não lhes bastava a fuga de Porto Brandão, também foram obrigados a abandonar os escritórios que ocupavam no edifício Arena, sede da Liga Portugal, na rua John Whitehead, no Porto. O motivo da saída é o mesmo: falta de pagamento das rendas.
Tudo o que seja pagar é um problema para o Conta Lá. Não paga aos senhorios, não paga aos trabalhadores (hoje, dia 13, ainda não tinham recebido os salários de abril), não paga aos fornecedores. Na lista de credores, num total de dois milhões de euros, destacam-se a Ibertelco, fornecedora de equipamentos técnicos a ‘arder’ com 450 mil euros, e a GMTS, empresa de meios técnicos da SIC que assegurou para o Conta Lá a cobertura das autárquicas de outubro e que reclama cerca de 300 mil euros.
Ainda recentemente, o canal ficou sem a frota automóvel por falta de pagamento do ‘leasing’ – que era suportado pela New Anderthal, empresa de compra, venda e administração de participações sociais, controlada por Luís Manuel Santos e Luís Miguel Fernandes. Estes dois empresários chegaram a ser apresentados como “acionistas de referência” da Conta Lá. Mas os dois potenciais investidores acabaram por desistir do negócio. Só não desistiram da frota automóvel ao serviço do canal. Sem receberem o pagamento pela locação financeira, mandaram recolher os carrinhos à garagem.
A atribulada história do Conta Lá, em meio ano de vida, é o espelho da história do seu principal acionista, Maurício Ribeiro – uma vida na arte do desenrascanço, especialista em abrir empresas e atirá-las para o precipício da falência. Maurício, que tem sido capaz de renascer das cinzas de cada falhanço, pretende agora, como o 24 Horas revelou, que o Banco Português do Fomento lhe passe para a mão cinco milhões de euros para salvar o seu Conta Lá.

















