O debate quinzenal desta sexta-feira, o primeiro depois da entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2027, arrancou com um confronto tenso entre André Ventura e Luís Montenegro, que obrigou o presidente da Assembleia da República a pedir calma à bancada do Chega.
O líder do Chega acusou o Governo de obrigar pensionistas a devolver dinheiro. “Há 3 mil pensionistas que verão a pensão reduzida e merecem uma explicação”, afirmou, lembrando que o primeiro-ministro tinha prometido demitir-se se as pensões fossem reduzidas. “Pois agora têm”, gritou, sob apupos das bancadas do PSD e do CDS-PP. Para Ventura, o que foi prometido era “mentira ou incompetência”. “Provavelmente é as duas ao mesmo tempo”, atirou.
A troca de argumentos levou José Pedro Aguiar-Branco a intervir, depois de uma deputada do Chega se queixar da falta de isenção na condução dos trabalhos. “Essa já não dá”, respondeu-lhe.
Antes, Ventura tinha chamado “Luís Radar” ao primeiro-ministro, acusando o Governo de pôr radares e propor mais portagens em vez de baixar o IVA. “Isto é roubo, é roubo, é roubo”, disse. Montenegro respondeu: “O meu sorriso é para si e de si. É de si, porque não tem mesmo noção do que diz”. Acrescentou que “o senhor deputado é só conversa” e que os apoios em vigor “representam 2300 milhões de euros”.
O chefe do Governo acusou ainda Ventura, que exibiu manchetes críticas do Orçamento, de viver “para as manchetes de jornais”.
Sobre as contas públicas, Montenegro visou quem previu défice: “Enganaram-se!”. “Se há coisa que preservámos foi a saúde financeira e o controlo da despesa permanente”, garantiu.
O debate foi aberto por Paulo Raimundo. O secretário-geral do PCP defendeu que os “orçamentos das famílias estão sempre em défice” e perguntou se os lucros da banca, “10 mil euros por minuto”, devem contribuir para responder à situação do país. Montenegro respondeu que “não só devem como estão a contribuir” e afirmou que, em dois anos, o rendimento dos portugueses cresceu 15%.
Pelo PSD, Hugo Soares disse que “este Governo não aumentou um único imposto nos orçamentos que apresentou”.
Créditos: ARTV

















