O debate do Orçamento do Estado arrancou esta terça-feira, dia 27, na Assembleia da República (AR), com a habitação e a ausência pública de Luís Montenegro nas últimas semanas entre os temas que marcaram o confronto político. André Ventura questionou o primeiro-ministro sobre o seu afastamento da opinião pública, associando-o aos protestos recentes e aos episódios de violência contra agentes policiais.

“Onde é que andou durante todo este tempo? Onde é que andou quando o País se debatia com manifestações, em que polícias eram agredidos e o Estado de direito era ameaçado?”, perguntou o líder do Chega.

Na resposta, o chefe do Governo afirmou que esteve a trabalhar durante o período em que esteve menos presente no espaço público: “'Onde é que o primeiro-ministro andou?' Andou a trabalhar.”

Montenegro garantiu ainda que, apesar da menor exposição mediática, acompanhou os assuntos do País diariamente: “Estive todos os dias por dentro de tudo, a colaborar e a articular para resolver os problemas das pessoas.”

O primeiro-ministro aproveitou a resposta para estabelecer uma distinção entre a sua forma de exercer funções e a atuação política de André Ventura. Sem deixar de se referir aos 17 dias em que esteve afastado da atenção pública, criticou os políticos que, na sua perspetiva, associam o trabalho à presença constante nos meios de comunicação social: “Há uns para quem trabalhar é dar entrevistas, há uns para quem trabalhar é responder a tudo o que é verdade, o que é mentira, o que é meia-verdade, o que é meia-mentira.”

Montenegro contrapôs essa postura à responsabilidade de coordenar a ação governativa, defendendo que o seu papel passa por garantir o funcionamento do Executivo e acompanhar a resolução dos problemas do país.

“O senhor deputado pertence ao primeiro grupo, eu pertenço ao segundo”, disse, dirigindo-se a Ventura. O primeiro-ministro concluiu a resposta com uma frase que resumiu o confronto entre ambos: «” a grande diferença entre nós.”

Créditos: ARTV