André Ventura, de 43 anos, foi o candidato com maior destaque mediático durante a primeira volta das eleições presidenciais de 2026, segundo a análise divulgada esta quarta-feira, dia 8, pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Já na segunda volta, disputada entre o líder do Chega e António José Seguro (64), a cobertura dos meios de comunicação foi, de forma geral, equilibrada.

O estudo incidiu sobre os principais noticiários televisivos em horário nobre da RTP1, RTP2, RTP Notícias, SIC, SIC Notícias, TVI, CNN Portugal, CMTV e NOW, bem como sobre os blocos informativos das 08:00 e das 09:00 da Antena 1, Renascença, Observador e TSF, durante os períodos oficiais de campanha das duas voltas eleitorais.

Na primeira volta, a ERC identificou três níveis distintos de exposição mediática. Na televisão, André Ventura, António José Seguro e Luís Marques Mendes (68) alternaram como os candidatos mais referidos nos diferentes canais. Henrique Gouveia e Melo (65) e João Cotrim de Figueiredo (65) também registaram uma presença significativa, representando entre 10% e 20% das referências.

Num segundo grupo surgiram Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins, cuja cobertura oscilou entre os 4% e os 8%. Já André Pestana, Humberto Correia e Manuel João Vieira tiveram uma presença bastante reduzida, inferior a 2% na maioria dos casos e, em alguns canais, inexistente, como aconteceu na SIC Notícias.

Nas rádios analisadas verificou-se um cenário semelhante. António José Seguro, Luís Marques Mendes e João Cotrim de Figueiredo repartiram a liderança da cobertura, enquanto André Ventura e Henrique Gouveia e Melo surgiram logo atrás. Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins integraram um grupo intermédio e os restantes candidatos registaram uma exposição residual. Humberto Correia e André Pestana não tiveram qualquer presença na Rádio Observador.

Relativamente à segunda volta, a ERC concluiu que a cobertura foi, na generalidade, equilibrada entre António José Seguro e André Ventura. Ainda assim, identificou diferenças mais expressivas na CNN Portugal e na Rádio Observador, onde Ventura beneficiou de maior tempo de exposição. Em sentido contrário, a TSF dedicou mais espaço informativo a António José Seguro.

A análise concluiu também que o desempenho do Governo foi o principal tema da cobertura televisiva ao longo da campanha. Na primeira volta, a crise no INEM dominou a agenda mediática, enquanto na segunda a resposta do executivo às tempestades que atingiram o centro do país voltou a colocar o Governo em destaque.

Já na rádio, a primeira fase da campanha foi marcada sobretudo pela divulgação e análise de sondagens. Na reta final da eleição ganharam maior peso temas como o desempenho do Governo, a avaliação dos candidatos e o acompanhamento das iniciativas de campanha.

O relatório avaliou igualmente as entrevistas e debates promovidos pelos órgãos de comunicação social. Na televisão, apenas a RTP Notícias entrevistou todos os 11 candidatos presidenciais. A RTP1, a CMTV e o NOW não ouviram Humberto Correia, André Pestana e Manuel João Vieira, enquanto a CNN Portugal deixou de entrevistar Humberto Correia.

A SIC Notícias não realizou entrevistas a cinco candidatos: Humberto Correia, André Ventura, António José Seguro, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. Na TVI, apenas António Filipe e Catarina Martins participaram em entrevistas.

No conjunto das entrevistas televisivas, André Ventura foi o candidato com maior tempo de antena, acumulando cinco horas e 25 minutos de emissão. Henrique Gouveia e Melo surgiu em segundo lugar, com três horas e 57 minutos.

Na segunda volta, a ERC verificou que, tanto no NOW como na CNN Portugal, as entrevistas concedidas por André Ventura tiveram uma duração superior ao dobro das de António José Seguro. Na CMTV também foi registada uma diferença favorável ao líder do Chega, enquanto os restantes operadores mantiveram tempos considerados equilibrados.

Quanto às rádios, todas realizaram entrevistas a candidatos presidenciais, embora nenhuma tenha ouvido os 11 concorrentes. A Renascença foi a estação com menor número de entrevistas, limitando-se a quatro candidatos, ao passo que Antena 1, Observador e TSF não entrevistaram André Pestana, Humberto Correia nem Manuel João Vieira.

No que diz respeito aos debates, RTP, SIC e TVI organizaram, em conjunto, 28 confrontos entre oito candidatos durante a primeira volta, deixando de fora André Pestana, Humberto Correia e Manuel João Vieira. Paralelamente, a RTP promoveu o único debate televisivo com os 11 candidatos, transmitido na RTP1 e na RTP Notícias.

Na rádio, Antena 1, Renascença, Observador e TSF emitiram em simultâneo o 'Debate da Rádio', reunindo igualmente oito candidatos. Mais tarde, a Antena 1 promoveu um debate específico entre André Pestana, Humberto Correia e Manuel João Vieira.

Para a segunda volta, RTP, SIC e TVI voltaram a unir-se para organizar o único debate televisivo entre António José Seguro e André Ventura, transmitido em simultâneo pelos canais generalistas e de informação. O áudio desse frente a frente foi igualmente difundido pelas quatro estações de rádio analisadas.

António José Seguro acabou por vencer as eleições presidenciais de 2026, com cerca de 67% dos votos, enquanto André Ventura obteve aproximadamente 33%.