As andorinhas que todos os anos chegam a Portugal protagonizam uma das mais impressionantes migrações do mundo animal. Dados recentes, recolhidos através de GPS instalados nas aves, revelam com detalhe a dimensão desta viagem, que pode ultrapassar 7 mil quilómetros entre África e a Península Ibérica.
A jornada começa no sul do Saara, geralmente em outubro, quando as andorinhas abandonam as zonas africanas para evitar o inverno. A primeira etapa é também uma das mais duras: o cruzamento do deserto do Sahara, que implica 50 horas de voo contínuo e cerca de 1500 quilómetros sem qualquer paragem. Logo depois, as aves enfrentam outra travessia ininterrupta, o Mediterrâneo, onde mantêm o ritmo para garantir energia suficiente até ao continente europeu.
A chegada a Portugal ocorre entre março e abril, após 5 a 7 dias de voo ativo. Apesar da distância e das condições extremas, estas aves demonstram uma precisão notável: 95% regressam exatamente ao mesmo ninho todos os anos, um comportamento que reforça a sua ligação aos locais de reprodução.
Os dispositivos de monitorização revelam ainda detalhes surpreendentes sobre o desempenho destas pequenas viajantes. A velocidade máxima registada atinge os 74 km/h, a altitude de cruzeiro varia entre 50 e 150 metros, e as andorinhas são capazes de dormir enquanto voam, entrando em microperíodos de sono que duram apenas alguns segundos.
A informação reforça uma ideia simples mas extraordinária: a andorinha que passa o verão num telhado português passou o inverno a milhares de quilómetros de distância – e regressou ao mesmo ponto com uma precisão quase perfeita.


















