A NASA ordenou esta sexta-feira que os quatro membros da missão SpaceX Crew-12 e o astronauta Chris Williams se mantivessem a bordo da cápsula Dragon Freedom em postura de alerta máximo, enquanto cosmonautas russos procedem a uma operação de reparação alargada no módulo Zvezda da Estação Espacial Internacional. A medida inclui o uso de fatos espaciais em preparação para uma eventual evacuação de emergência.
A situação agravou-se ao longo da semana. Na segunda-feira, 3 de junho, às 14h04 (hora de Portugal continental), a NASA ordenou aos cinco astronautas que entrassem na Dragon e vestissem os fatos espaciais como precaução face à deterioração das fugas de ar no túnel de transferência do Zvezda, designado pela sigla russa PrK. A reparação de maior escala arrancou esta sexta-feira, 5 de junho.
O PrK regista fissuras e fugas desde 2019. Apesar de sucessivas tentativas de reparação parcelar com pastas selantes, fita adesiva e outros materiais , as fissuras nunca foram completamente eliminadas. Em 2024, a taxa de fuga duplicou, levando a NASA a classificar o problema como risco de «alta probabilidade» e «alta consequência». No início de 2026, a situação pareceu estabilizar, mas as fugas ressurgiram em maio, com uma taxa de perda de cerca de meio quilograma de ar por dia.
Face ao novo agravamento, a Roscosmos decidiu avançar com uma intervenção mais extensa do que as anteriores. Por precaução, a NASA retirou os astronautas dos módulos da estação: os quatro membros da Crew-12 (os norte-americanos Jessica Meir e Jack Hathaway, a francesa Sophie Adenot e o cosmonauta russo Andrey Fedyaev) juntamente com Chris Williams, que viajou para a ISS separadamente em novembro de 2025 a bordo da Soyuz MS-28, aguardam dentro da Dragon com os fatos vestidos.
Se a evacuação se concretizar, será a segunda do ano. Em janeiro, a Crew-11 foi obrigada a regressar antecipadamente à Terra devido a uma emergência médica, numa saída que constituiu a primeira evacuação médica da ISS desde 1998.
O módulo Zvezda, lançado em 1998, é um dos elementos estruturais mais antigos da estação e indispensável ao seu funcionamento. A NASA e a Roscosmos continuam a trabalhar com os restantes parceiros internacionais da ISS para encontrar uma solução definitiva para as fissuras. Uma das hipóteses equacionadas é o selamento permanente do compartimento afectado, o que implicaria a perda de uma porta de acostagem russa.

















