A entrada da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) está a provocar uma profunda reorganização do mercado acionista angolano. Desde o anúncio da Oferta Pública de Venda (OPV) de 15 por cento do capital da operadora, as cinco empresas atualmente cotadas perderam cerca de 260 mil milhões de kwanzas em valor bolsista, numa correção que os analistas atribuem sobretudo à necessidade de os investidores libertarem liquidez para participar na maior operação de sempre do mercado de capitais angolano.
Entre 23 de junho e 13 de julho, a seguradora ENSA liderou as perdas, com uma desvalorização de 18 por cento, seguida pelo Banco Caixa Angola, que recuou 14,5%. O BAI perdeu 6,9%, enquanto o BFA e a própria BODIVA registaram quedas mais moderadas, de 2,7% e 3%, respetivamente. Longe de refletir uma quebra de confiança, o movimento é interpretado como uma transferência temporária de capitais para a subscrição das ações da Unitel.
A operação representa um marco histórico para o mercado financeiro angolano. A Unitel chega à bolsa com uma avaliação próxima dos 2 biliões de kwanzas (cerca de 2 mil milhões de euros), tornando-se a empresa mais valiosa de sempre a ser admitida à negociação.
Num mercado ainda de reduzida dimensão e liquidez, muitos investidores esperam uma forte procura pelas ações da operadora, antecipando ganhos de valorização no curto prazo. A entrada da Unitel é vista como um importante teste à maturidade da BODIVA e poderá representar um ponto de viragem para o desenvolvimento do mercado de capitais em Angola.

















