André Ventura, de 43 anos, confirmou nesta quarta-feira, dia 2, que o Chega vai avançar com a moção de censura contra o Governo de Luís Montenegro (53), numa reação ao caso que envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves (60). O líder do partido considera que a situação atingiu um ponto de “absoluta insustentabilidade” do ponto de vista ético e da credibilidade das instituições.
Na sede do Chega, Ventura afirmou que as últimas semanas deixaram o Estado português mergulhado num “lamaçal de indignidade”, apontando para as suspeitas relacionadas com Luís Neves e para a forma como o ministro tem respondido às questões levantadas sobre a sua atuação.
Para o líder do Chega, as dúvidas existentes centram-se na gestão pública do ministro e justificam a exigência de esclarecimentos. Ventura recordou que o partido tem procurado, “sozinho”, obter respostas que considera “sérias e racionais”.
Segundo André Ventura, o caso começou por envolver suspeitas relacionadas com a esfera privada e com uma eventual utilização de meios públicos. O dirigente acusa, contudo, Luís Neves de ter recusado prestar esclarecimentos, apoiando-se na sua carreira anterior e na popularidade conquistada enquanto “estrela de rockstar”.
Ventura afirmou ainda ter identificado um “círculo de interesses profundo” em torno do ministro, que, na sua leitura, terá contribuído para o proteger das críticas e das exigências de explicações.
O líder do Chega voltou também às declarações de Luís Neves nas conferências de imprensa, considerando que as dúvidas em torno do ministro se agravaram depois de este ter falado numa “cabala” e em “invejas” e ter afirmado que “os atos têm consequências”.
“O nosso silêncio habituou-se ao silêncio do respeitinho”, afirmou Ventura, defendendo que o Chega nasceu precisamente para combater uma cultura de poder e arrogância nas instituições democráticas. “A nós, a mim ninguém me intimida”, acrescentou.
Para Ventura, a questão não deve ser transformada numa disputa pessoal entre o ministro e o Chega: “O ministro pode tentar fazer disto uma luta pessoal. Não é, nunca foi.”
O presidente do Chega acusa ainda Luís Neves de não ter compreendido que deveria responder às suspeitas e considera que o ministro não tem condições para exercer o cargo. Critica também aquilo que descreve como tentativas de silenciar a oposição e os jornalistas: “Devia-se preocupar em dar explicações, para nos garantir que podemos estar tranquilos.”
Ventura considera particularmente grave a atuação que atribui ao ministro, alegando que este tem recorrido à intimidação em vez de esclarecer as dúvidas existentes. “Não podemos tolerar um ministro que decide nada explicar e continuar a atirar para a lama os colegas da PJ, o Estado e o Governo.”
O líder do Chega considera ainda que as declarações de Luís Neves de terça-feira, 1, elevaram ainda mais a tensão política. Ventura revelou que o ministro falou com o Presidente da República em dois momentos: numa reunião anterior e numa conversa telefónica realizada ontem, considerando perigosa para a democracia a mensagem de que “ninguém me afasta”.
Ventura rejeitou aquilo que classificou como “ameaça e fanfarronice” e defendeu que o Governo não pode transformar o combate político ao Chega numa missão do ministro da Administração Interna.
O dirigente questionou ainda a razão pela qual, na sua opinião, tantas pessoas têm receio de falar sobre Luís Neves e criticou o primeiro-ministro, por não agir.
“É a lógica do ‘eu tenho tudo sobre todos, se eu cair vai tudo atrás’”, afirmou Ventura. Para o líder do Chega, se Neves continuar no cargo, “o padrão ético desapareceu completamente” e “o primeiro-ministro desapareceu e passou a ser Luís Neves”.

















