Depois do Recife, Fortaleza também cancelou o espectáculo da dupla sertaneja Jorge & Mateus, previsto para a programação de Réveillon. As decisões das duas capitais nordestinas foram anunciadas após uma onda de críticas nas redes sociais relacionadas com o posicionamento político do cantor Jorge, que manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026.
A polémica ganhou força depois da divulgação de imagens de um encontro entre artistas sertanejos e Flávio Bolsonaro, realizado a 20 de outubro, em Goiás. Num dos vídeos que circularam nas redes sociais, Jorge aparece a cantar uma paródia da música «Pode Chorar», com a frase «Pode chorar, mas eu não voto no PT». A repercussão levou internautas a questionarem a presença da dupla nas festas de fim de ano das duas cidades.
Em Fortaleza, o presidente da Câmara Municipal, Evandro Leitão, anunciou o cancelamento da apresentação. No Recife, o presidente da Câmara Municipal, Victor Marques, também confirmou a retirada da dupla da programação, depois de inicialmente defender a manutenção do espectáculo. A intensificação das críticas e a decisão da capital cearense contribuíram para a mudança de posição.
Entretanto, as duas Câmaras Municipais negam que os cancelamentos tenham sido motivados por xenofobia ou por alegados ataques contra a população nordestina. As instituições afirmaram que não encontraram vídeos que comprovassem declarações ofensivas atribuídas ao cantor Jorge contra os habitantes da região.
As Câmaras Municipais sustentam que as decisões foram tomadas para preservar o ambiente das festividades, perante a repercussão negativa nas redes sociais. Também esclareceram que as contratações seriam financiadas por parceiros privados, sem utilização de recursos públicos.
Jorge pronunciou-se individualmente nesta quarta-feira (4) e negou ter feito declarações depreciativas sobre o Nordeste ou a sua população. O cantor afirmou ter carinho, admiração e respeito pela região, destacando a relação construída com o público nordestino ao longo da carreira.
O artista também esclareceu que a sua manifestação política foi individual e não representa necessariamente a posição de Mateus, que não participou no encontro com Flávio Bolsonaro que desencadeou a polémica.

















