Os principais grupos de comunicação social em Portugal estão em negociações com o Governo para definir as condições de utilização dos seus conteúdos jornalísticos no projeto de Inteligência Artificial (IA) Amália. O setor defende que o acesso aos arquivos dos órgãos de comunicação deve ser devidamente remunerado.
O tema esteve em destaque na conferência 'O Futuro dos Media', em Lisboa, onde vários responsáveis do setor confirmaram que as conversações estão em curso. A proposta em análise poderá incluir uma componente relativa aos arquivos jornalísticos e outra relacionada com os produtos desenvolvidos através do projeto.
Os representantes dos grupos de comunicação alertam para o risco de décadas de trabalho jornalístico, produzido e financiado por empresas privadas, serem disponibilizadas gratuitamente para alimentar ferramentas de inteligência artificial.
Cristina Soares, administradora do jornal Público, defendeu que os órgãos de comunicação devem receber uma compensação justa e ter liberdade para negociar as condições de utilização dos seus conteúdos: "Precisamos de ser remunerados de uma forma justa." Também Pedro Morais Leitão, presidente-executivo da Media Capital, destacou a importância da soberania digital, defendendo que Portugal deve garantir maior controlo sobre a informação produzida e distribuída no País.
Durante o encontro, foi ainda apontada a desigualdade entre os meios de comunicação tradicionais e as plataformas digitais, nomeadamente ao nível das regras de publicidade e da transparência das métricas utilizadas para avaliar os resultados dos anúncios.
Os responsáveis consideram que a expansão da Inteligência Artificial representa um novo desafio para o setor, sobretudo quando estas ferramentas utilizam informação jornalística para responder diretamente aos utilizadores, sem que os órgãos responsáveis pela sua produção sejam necessariamente compensados.

















