A Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Imaterial (APSPI) foi acreditada pela UNESCO e vai integrar o Grupo de Trabalho do Património Cultural Imaterial da Comissão Nacional da organização.

A nova posição permitirá à associação participar na análise prévia das candidaturas portuguesas à classificação internacional de manifestações culturais imateriais.

Para Luís Marques, presidente da APSPI, em declarações à Lusa, a acreditação representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido desde 2012: "É uma satisfação e dá-nos ânimo para continuar. O trabalho prosseguiria mesmo sem este reconhecimento, mas é naturalmente um estímulo."

O responsável considera que a ligação à UNESCO poderá também facilitar a aproximação a outras entidades e reforçar a disponibilidade para futuras colaborações. Ainda assim, garantiu que a associação manterá o plano de atividades já definido: "Não nos vamos desviar daquilo que temos feito nem dos projetos previstos para os próximos anos. Este é mais um elemento que confirma a importância do nosso trabalho."

Luís Marques recordou que a APSPI não recebe apoios financeiros e que os dirigentes exercem as funções de forma voluntária: "Vamos continuar ao nosso ritmo e dentro das possibilidades que temos."

Entretanto, a Universidade Lusófona criou o primeiro mestrado em Património Cultural Imaterial em Portugal, já aprovado pelo Ministério da Educação. O curso, com a duração de dois anos, será dirigido por Luís Marques e sucede a uma pós-graduação lecionada há mais de uma década.

O mestrado pretende preparar investigadores, docentes, associações e profissionais para a identificação, inventariação, preservação e divulgação do património cultural imaterial. Segundo Luís Marques, a nova formação poderá contribuir para melhorar a intervenção das instituições ligadas à cultura e ao interesse público.

Professor da Universidade Lusófona, Luís Marques é doutorado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e autor das obras 'Património Cultural Imaterial – O Olhar Antropológico' e 'Portugal Imaterial'.