A Paisagem Cultural Viva das Roças de São Tomé e Príncipe passou a integrar a Lista do Património Mundial da UNESCO, um reconhecimento que destaca o valor universal de um território onde natureza, arquitetura, memória e comunidades continuam profundamente interligadas.

A decisão foi tomada durante a sessão do Comité do Património Mundial, reforçando a importância de um conjunto histórico que testemunha séculos de produção agrícola, mas também de resistência, identidade e transformação social.

As roças, criadas durante o período colonial para a produção de cacau e café, constituem um dos mais marcantes legados arquitetónicos e culturais do arquipélago. O estatuto agora atribuído distingue não apenas os edifícios e infraestruturas históricas, mas sobretudo a sua dimensão de "paisagem viva", reconhecendo que estes espaços continuam habitados, utilizados e reinventados pelas comunidades locais.

A candidatura valorizou a relação entre o património construído, a floresta tropical, os sistemas agrícolas e os saberes tradicionais preservados ao longo de gerações. Para a UNESCO, este equilíbrio entre património material e imaterial representa um exemplo singular da interação entre o ser humano e o meio ambiente.

A inscrição abre novas perspetivas para São Tomé e Príncipe, desde o reforço da proteção e conservação das roças até ao desenvolvimento de um turismo cultural mais sustentável, capaz de gerar oportunidades económicas para as populações locais. Ao mesmo tempo, impõe responsabilidades acrescidas na gestão e preservação deste património excecional.