O senador Jaques Wagner, um dos mais influentes aliados do Presidente Lula, surge no centro de uma nova investigação da Polícia Federal (PF) brasileira relacionada com o Banco Master. De acordo com documentos revelados pela Folha de S.Paulo, o parlamentar manteve pelo menos 74 contactos telefónicos com o empresário Augusto Ferreira Lima, antigo sócio da instituição financeira, entre novembro de 2023 e maio de 2025.

A investigação indica ainda que Wagner recebeu presentes, incluindo vinho avaliado em cerca de cinco mil reais, e que terá promovido um encontro entre executivos do Banco Master e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. Os investigadores analisam igualmente a intervenção do senador em matérias legislativas consideradas do interesse do grupo financeiro, embora refiram que não foram encontradas conversas telefónicas que relacionem diretamente essas iniciativas com os contactos mantidos.

A Polícia Federal sustenta que o conjunto das provas aponta para um alegado “arranjo estruturado” entre agentes públicos e privados, tendo identificado ainda a utilização, por parte de Jaques Wagner, de aeronaves pertencentes ao empresário, bem como o financiamento de viagens e de bilhetes para concertos destinados a familiares do senador.

Jaques Wagner rejeita qualquer irregularidade e diz estar convicto de que provará a sua inocência. O senador recorda ter sido alvo de outras investigações no passado, todas arquivadas, e garante que os contactos mantidos tiveram natureza institucional e pessoal, sem qualquer favorecimento indevido.