Daniel Vorcaro procurou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar de uma causa bilionária, mas o magistrado não acolheu a tese defendida pelo então controlador do Banco Master. Nos processos relacionados com a questão, Gilmar Mendes votou contra os interesses das empresas que poderiam beneficiar Vorcaro.
A reunião ocorreu em 11 de abril de 2024, no gabinete de Gilmar Mendes, em Brasília, e foi confirmada pelo gabinete do ministro. Segundo a manifestação do magistrado, o encontro teve caráter institucional e contou com a participação de advogados do Banco Master.
Um dos casos relacionados com a disputa envolvia a Destilaria Alcídia, que reivindicava uma indemnização da União. O processo foi julgado pela Segunda Turma do STF em 3 de junho de 2025. Gilmar Mendes votou contra o pagamento dos valores reclamados pela empresa e ficou vencido juntamente com o ministro André Mendonça.
A questão envolve ações de empresas do setor sucroalcooleiro que procuram obter indemnizações por alegados prejuízos provocados pelo controlo estatal dos preços do setor nas décadas de 1980 e 1990. A Advocacia-Geral da União estimou que o conjunto das ações poderia representar um impacto de até 145 mil milhões de reais para os cofres públicos.
A posição de Gilmar Mendes também apareceu em outros processos relacionados com o setor. Num caso envolvendo a Raízen, o ministro votou contra o pagamento de precatórios, e a União venceu a disputa. Em processos envolvendo a Jalles Machado, Gilmar Mendes também apresentou votos contrários ao pagamento.
O gabinete do ministro afirmou que Gilmar Mendes não tinha conhecimento de eventuais negociações privadas entre Vorcaro e Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa, que era então cunhado do magistrado. Segundo a manifestação, o ministro também não foi procurado pelo então cunhado para tratar de assuntos relacionados com o empresário.
Em relação ao processo da Destilaria Alcídia, a posição de Gilmar Mendes foi contrária ao pagamento do precatório. O ministro ficou vencido no julgamento da Segunda Turma, que contou com votos favoráveis à empresa pela maioria dos integrantes do colegiado.

















