Portugal poderá ficar sem a organização do Mundial 2030, na sequência do conflito entre a UEFA e a FIFA sobre a eventual privatização da gestão da principal competição de seleções. A confederação europeia anunciou que está disposta a boicotar todas as provas organizadas pela FIFA, caso avance o plano de entregar a organização do Mundial a uma empresa com participação de investidores privados.

Segundo a UEFA, a entrada de capital privado colocaria em causa a independência das decisões relacionadas com o futebol internacional, fazendo prevalecer interesses comerciais sobre os desportivos. Em comunicado, o organismo liderado por Aleksander Ceferin, de 58 anos, defendeu que as competições devem continuar a ser geridas em função do desenvolvimento da modalidade e não das expectativas dos acionistas.

Do lado da FIFA, o presidente Gianni Infantino (56) procura reunir apoio entre as 211 federações afiliadas, defendendo que o novo modelo permitiria aumentar significativamente as receitas distribuídas às associações nacionais ao longo dos próximos anos. Enquanto algumas confederações admitem analisar a proposta, a UEFA mantém uma posição de firme oposição.

Caso o boicote das seleções europeias venha a concretizar-se, a candidatura conjunta de Portugal, Espanha e Marrocos ao Mundial de 2030 poderá ser colocada em causa, abrindo um cenário de incerteza quanto à realização da competição nos três países.