A Bosch vai investir pelo menos 85 milhões em Portugal em 2026, igualando o montante aplicado no último ano e consolidando o País como um dos pilares da estratégia industrial e tecnológica do grupo.

Javier González Pareja, presidente da multinacional para Portugal e Espanha, afirma que existe "um forte compromisso com o País", num momento em que a empresa está a realinhar operações globais e a transferir produção do Leste europeu para território português.

A fábrica de Aveiro recebeu a expansão da produção de bombas de calor, inicialmente prevista para a Polónia, enquanto Braga passou a acolher parte da produção de radares automóveis que antes era feita na Hungria. A unidade bracarense ganhou ainda uma nova área dedicada ao desenvolvimento de soluções avançadas para bicicletas elétricas, um segmento em crescimento dentro do grupo.

No setor dos serviços, o centro de Lisboa continua a ganhar peso. Além da gestão de recursos humanos para a Europa Ocidental e do desenvolvimento de software, destaca‑se a operação de teleassistência de elevadores, que permite resolver avarias em países como os nórdicos a partir da capital portuguesa. Em contraste com a redução global de 1% no número de trabalhadores da Bosch, Portugal registou um aumento de 3%, totalizando 5900 colaboradores.

González Pareja sublinha que o desempenho das equipas portuguesas e as parcerias com universidades, como Minho, Porto, Aveiro e Técnico, têm sido determinantes para atrair novos projetos. O responsável defende que Portugal deve "pensar grande", reforçar a cooperação económica com Espanha e apostar em políticas fiscais que ajudem a captar talento qualificado. Apesar de prever que os salários nacionais se aproximem gradualmente dos da Europa Ocidental, admite que continuarão distantes dos níveis alemães.