Portugal enfrenta um cenário de elevado risco de incêndios florestais, marcado por temperaturas extremas, seca prolongada e pela possível intensificação do fenómeno El Niño. Segundo dados do Sistema Global de Informação sobre Incêndios Florestais da União Europeia, entre janeiro e o início de maio já arderam mais de 160 milhões de hectares em todo o mundo, o valor mais elevado para este período desde que existem registos globais, em 2012. Especialistas alertam que o ritmo acelerado da atual época de fogos poderá transformar 2026 num dos anos mais críticos de sempre em termos climáticos.
Na Europa, a época de incêndios começou mais cedo do que o habitual e os números já revelam uma situação preocupante. O sistema europeu EFFIS registou 7.783 incêndios florestais em 25 países europeus durante 2025, refletindo um aumento significativo face à média dos últimos anos. As condições meteorológicas extremas, associadas a vagas de calor e baixos níveis de humidade, têm favorecido a rápida propagação das chamas em várias regiões do continente.
Portugal e Espanha concentraram quase metade da área total ardida na União Europeia. Só nestes dois países, 22 grandes incêndios consumiram mais de 460 mil hectares, impulsionados pelas vagas de calor intensas que atingiram a Península Ibérica durante o verão. A combinação entre temperaturas elevadas, vento forte e vegetação seca criou condições propícias para incêndios de grande dimensão e difícil controlo.
Portugal continua entre os países mais vulneráveis aos incêndios rurais. Em 2025, foram registados 999 incêndios significativos no País, responsáveis por mais de 284 mil hectares queimados, o dobro da área ardida no ano anterior e o segundo pior registo desde 2010. Estes números confirmam uma tendência de agravamento associada às alterações climáticas, ao abandono de áreas rurais e à acumulação de vegetação combustível, fatores que tornam os incêndios mais rápidos, intensos e difíceis de controlar.

















