A morte de dois agentes da Guardia Civil e o ferimento grave de um terceiro, na madrugada de 8 de maio, durante uma perseguição a uma narcolancha ao largo de Huelva, voltou a expor a fragilidade dos meios de segurança marítima no sul de Espanha. O incidente, que envolveu a embarcação de patrulha Río Antas, reacendeu críticas antigas e trouxe à memória a tragédia de Barbate, em 2024, quando outros dois agentes perderam a vida em circunstâncias semelhantes.
Segundo fontes sindicais, o alerta para o "risco grave" já tinha sido feito há quase um ano. Um colega dos agentes agora falecidos enviara um relatório interno denunciando que as embarcações de patrulha não cumpriam as condições mínimas de segurança para enfrentar as narcolanchas, embarcações rápidas e altamente manobráveis usadas pelos traficantes.
A denúncia, afirmam os sindicatos, foi ignorada pelas autoridades. A crítica repete-se agora, com familiares e representantes dos agentes a acusarem o Estado de os enviar para "lutar contra narcolanchas num flotador".
A região do Estreito de Gibraltar e a costa andaluza tornaram‑se, nos últimos anos, um dos principais corredores de entrada de droga na Europa. As organizações criminosas controlam zonas estratégicas, incluindo desembocaduras de rios, e utilizam lanchas semirrígidas de alta potência que frequentemente superam em velocidade e robustez os meios policiais. A crescente impunidade dos narcos tem sido denunciada por sindicatos e especialistas, que alertam para o aumento da violência e para a superioridade tecnológica das redes de tráfico.
O acidente em Huelva ocorreu quando a patrulha da Guardia Civil tentou intercetar uma lancha de traficantes. Durante a manobra, as embarcações colidiram, provocando a morte imediata de dois agentes. O terceiro guarda civil permanece hospitalizado, em estado crítico. A investigação oficial está em curso, mas fontes internas admitem que a falta de meios adequados pode ter contribuído para o desfecho trágico.
A pressão sobre o Ministério do Interior intensifica‑se. Sindicatos exigem reforço urgente de equipamentos, embarcações modernas e protocolos de atuação revistos. Para muitos, a tragédia de Huelva confirma que nada mudou desde Barbate, apesar das promessas feitas em 2024.
A situação no litoral andaluz continua crítica, e a morte de mais dois agentes reacende um debate que, para quem vive e trabalha na linha da frente, nunca chegou a ser encerrado.
Créditos: Accion Policial / Facebook
















