As declarações de Isaltino Morais sobre a presidente do Tribunal de Contas estão a gerar polémica no espaço político e institucional português.

Em entrevista ao canal NOW, o autarca de Oeiras afirmou que Filipa Urbano Calvão “sonha em ser ministra das Finanças do Chega”, estabelecendo uma comparação direta com o percurso de António de Sousa Franco, que na década de 90 transitou da presidência do Tribunal de Contas para o governo de António Guterres como ministro das Finanças.

As palavras de Isaltino surgem num contexto de crescente tensão entre várias autarquias e o Tribunal de Contas, sobretudo devido ao escrutínio apertado da despesa pública, contratação e execução financeira dos municípios, mas também em resposta as críticas que aquele Tribunal fez ao recente anúncio do governo em querer isentar de visto prévio os contratos públicos até 10 milhões de euros.

A comparação com Sousa Franco recupera um dos casos mais conhecidos de circulação entre cargos de elevada responsabilidade institucional e funções governativas, numa altura em que o debate sobre independência das instituições de fiscalização tinha menor intensidade mediática e política.

Nos últimos anos, o Tribunal de Contas tem assumido uma postura particularmente interventiva, acompanhando as matérias relacionadas com contratação pública, fundos europeus e sustentabilidade financeira das entidades públicas, assumindo um protagonismo que Isaltino não teve pejo em classificar, citando um celebre discurso de Cavaco Silva nos anos 90, cono "uma força de bloqueio".

Até ao momento, nem Filipa Urbano Calvão nem o Tribunal de Contas reagiram oficialmente às declarações de Isaltino de Morais.