O cancro do pulmão continua a ser uma das doenças oncológicas mais mortais em Portugal. Em exclusivo ao 24Horas, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Dr. Vítor Veloso, alertou para o elevado número de novos diagnósticos e mortes associados à doença, a propósito do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, assinalado este sábado, dia 1.

"É uma data extremamente importante, na medida em que estamos a falar de um cancro que é o maior causador de mortes por doença oncológica em Portugal", começou por explicar Vítor Veloso.

De acordo com os dados mais recentes referidos pelo especialista, em 2024 foram diagnosticados 6 mil 148 novos casos de cancro do pulmão no País: "E houve também mortes muito significativas, quase idênticas ao número de casos que apareceram: 5 mil 589 mortes".

Perante estes números, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro sublinha a agressividade da doença e a necessidade de apostar na prevenção e no diagnóstico precoce. "É um cancro que tem uma mortalidade muito elevada e que representa qualquer coisa como 16,6% de todas as mortes por cancro", alertou.

O consumo de tabaco continua a ser apontado como a principal causa do cancro do pulmão. Segundo Vítor Veloso, entre 75% e 85% dos casos estão relacionados com o fumo.

Além do tabaco, existem outros fatores ambientais e profissionais que podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença, entre eles o contacto com amianto, ainda presente em alguns edifícios, habitações e escolas, a poluição atmosférica e a exposição ao radão, um gás radioativo que surge com maior incidência em determinadas zonas do Norte do País.

Atualmente, estão a decorrer em Portugal dois projetos-piloto de rastreio do cancro do pulmão, um no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e outro no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Para Vítor Veloso, estes programas poderão representar um passo decisivo para a futura implementação de um rastreio de base populacional: "São projetos-piloto que, sem dúvida alguma, podem dar grandes resultados e que vão, com certeza, evoluir no sentido de se fazer um rastreio de base populacional."

A implementação generalizada deste tipo de rastreio poderá permitir uma redução significativa do número de mortes causadas pela doença. "Os estudos mostram que, se estes rastreios forem implementados, poderá haver uma diminuição muito significativa da mortalidade, entre 18% e 22%", adiantou.

Na mensagem dirigida à população, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro reforçou a importância de não fumar e de procurar acompanhamento médico sempre que existam fatores de risco ou sintomas suspeitos: "A última mensagem é que as pessoas tenham cuidados de prevenção, fundamentalmente não fumarem, porque entre 75% e 85% dos casos são devidos ao fumo. Vão a esse rastreio. Neste momento são projetos-piloto, mas façam-no, porque podem contribuir para que, caso tenham um cancro, este seja detetado num estado muito precoce, aumentando a possibilidade de ser perfeitamente curável."