Um casal brasileiro condenado por tortura de internos de uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, foi detido em Portugal. Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49 anos, e Djalma António Henares Júnior (56) estavam no País há vários anos quando foram incluídos na lista de procurados da Interpol.
Os dois foram condenados pela tortura de internos de uma clínica de reabilitação que mantiveram em Ribeirão Preto. A Justiça brasileira condenou cada um a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado. A sentença tornou-se definitiva em junho deste ano, quando já não havia possibilidade de novos recursos no Brasil.
As detenções ocorreram em julho, cerca de um mês após o processo transitar em julgado. Com a condenação definitiva, os dois passaram a ser considerados foragidos e entraram para a lista de procurados da Interpol. O Ministério Público brasileiro pediu agora a extradição para que cumpram as penas no Brasil.
Marluci e Djalma mudaram-se juntos para a região autónoma dos Açores em fevereiro de 2017. Mais tarde, separaram-se, mas ambos permaneceram em Portugal e construíram uma vida profissional no país.
Djalma continuou a trabalhar como psicólogo numa escola na região de Lisboa, tornou-se membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, publicou livros de aconselhamento para jovens e também trabalhou como instrutor de jiu-jitsu. Marluci, advogada no Brasil, tornou-se conhecida em Portugal como professora de zumba.
A mudança para a Europa ocorreu legalmente em 2017, antes de os dois serem considerados foragidos. Na altura, a Justiça brasileira tinha recusado pedidos de prisão preventiva apresentados pelo Ministério Público.
A situação mudou este ano, após a condenação se tornar definitiva. Com o fim das possibilidades de recurso no Brasil, as autoridades passaram a procurá-los internacionalmente, até que ambos foram localizados e detidos em Portugal.
Os dois permanecem agora sob custódia das autoridades portuguesas enquanto decorre o processo relacionado com o pedido de extradição. Se forem entregues ao Brasil, deverão regressar ao país para cumprir as penas de 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado.
















