Cavaco Silva, de 86 anos, elogia Ursula von der Leyen, numa entrevista à Rádio Renascença, e o trabalho da Comissão Europeia, num período marcado pela guerra na Ucrânia, pela instabilidade no Médio Oriente e pela pressão económica global, aproveitando para atacar o Conselho Europeu, presidido por António Costa.

O ex-Presidente da República diz confiar "muito mais" na Comissão, por considerar que neste órgão emergem frequentemente os interesses particulares de cada Estado-membro.

Na nesma entrevista, Cavaco classifica Donald Trump como "super errático" e "não confiável", sublinhando que "diz hoje uma coisa" sem que se saiba o que dirá amanhã.

Para o histórico social-democrata, a Europa não deve "acobardar-se" perante exigências de Washington que contrariem os seus interesses.

Cavaco defende também que a UE terá de investir mais na Defesa e reduzir de forma substancial a dependência dos Estados Unidos. Aponta, por isso, à criação de uma identidade europeia de defesa, separada da NATO, mas em cooperação com a Aliança Atlântica, capaz de intervir em cenários onde os norte-americanos não tenham interesse direto.

Cavaco associa ainda a resposta europeia ao reforço da competitividade, defendendo reformas no mercado interno, a criação de um verdadeiro mercado de capitais e maior aposta na inovação. Sem crescimento e produtividade, avisa, a Europa arrisca perder poder face aos Estados Unidos e à China.