Um dos nomes mais procurados pelas autoridades brasileiras, apontado como integrante da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi preso esta terça-feira, dia 27, na Bolívia após passar cerca de seis anos foragido. Gerson Palermo, conhecido pelo envolvimento com o tráfico internacional de droga e grandes assaltos, foi localizado numa operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e forças bolivianas de combate ao narcotráfico.

A prisão aconteceu na região de Santa Cruz de La Sierra, no município de Cotoca. Segundo a polícia boliviana, já foram iniciados os procedimentos para expulsar o brasileiro e entregá-lo às autoridades do Brasil. De acordo com os investigadores, Palermo vivia na região apresentando-se como empresário do setor agrícola.

Considerado um criminoso de alta periculosidade, Palermo integrava a lista dos foragidos mais procurados do Sistema Único de Segurança Pública. Contra ele existem condenações que, somadas, ultrapassam 126 anos de prisão por crimes como tráfico internacional de droga, associação criminosa e roubo.

O traficante estava foragido desde 2020, quando conseguiu deixar o presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, após obter prisão domiciliária por decisão judicial. A libertação gerou forte polémica devido ao histórico criminal do condenado.

Segundo as investigações, poucas horas depois de sair da prisão, Palermo rompeu a tornozeleira eletrónica e desapareceu. Desde então, passou a ser procurado pelas autoridades brasileiras e por organismos internacionais de combate ao crime organizado.

A maior pena do traficante está ligada a um dos crimes mais marcantes da história recente da aviação brasileira. Em agosto de 2000, Gerson Palermo participou do sequestro de um Boeing 727 da antiga companhia aérea Vasp, que realizava um voo entre Foz do Iguaçu e Curitiba.

Cerca de 20 minutos após a descolagem, a aeronave foi tomada por criminosos armados. De acordo com as investigações, Palermo, que também era piloto de avião, liderou a operação e obrigou o comandante da aeronave a alterar a rota e aterrar no município de Porecatu, no interior do Paraná.

Após a aterragem, a quadrilha forçou a abertura do compartimento de carga e roubou nove malotes do Banco do Brasil que transportavam cerca de 5,5 milhões de reais — valor equivalente atualmente a aproximadamente 900 mil euros.

Depois do assalto, os criminosos fugiram em veículos roubados. O caso teve enorme repercussão nacional pela ousadia da ação e pela complexidade logística da operação criminosa. Pelo envolvimento no sequestro do avião e no roubo milionário, Palermo foi condenado a mais de 66 anos de prisão.

Além desse caso, Palermo também foi alvo de investigações da Polícia Federal ligadas ao tráfico internacional de cocaína. Segundo os investigadores, a droga saía da Bolívia em aviões até o Mato Grosso do Sul e depois era distribuída para vários estados brasileiros através de camiões utilizados por organizações criminosas.

O nome de Gerson Palermo voltou ao centro das atenções este ano depois de novas reportagens revelarem detalhes da decisão judicial que permitiu a sua saída da prisão federal em 2020. Em fevereiro, o Conselho Nacional de Justiça aplicou a pena de aposentadoria compulsória ao desembargador responsável pela decisão que autorizou a prisão domiciliária.

As autoridades brasileiras aguardam agora a conclusão dos procedimentos legais na Bolívia para que o criminoso seja oficialmente entregue ao Brasil e volte ao sistema prisional federal.