O agravamento do conflito no Médio Oriente e as tensões em torno do Irão representam um risco para a evolução da dívida portuguesa, sobretudo se provocarem uma nova subida da inflação e levarem o Banco Central Europeu a aumentar os juros. O alerta é de Ken Egan, diretor de crédito soberano europeu da agência de notação financeira KBRA.

Apesar dessa ameaça externa, a avaliação das contas nacionais mantém-se favorável. As principais agências reconhecem a redução da dívida pública, a existência de excedentes orçamentais e o crescimento da economia. A fragmentação política no Parlamento poderá atrasar reformas, mas não deverá, por si só, inverter a atual trajetória, desde que se mantenha a disciplina nas despesas.

O Orçamento do Estado para 2026 foi aprovado com a abstenção do Partido Socialista e contém medidas de redução da dívida e absorção dos fundos europeus. O Governo admite fechar o ano apenas com equilíbrio orçamental, depois de vários excedentes, devido à redução de impostos e ao aumento do investimento. A previsão continua a ser de excedentes primários elevados e de uma queda da dívida superior a dez pontos percentuais até ao final da década.