Paulo Raimundo, de 49 anos, acusou esta quinta-feira, dia 20, o Governo de estar a criar condições para avançar com uma eventual privatização da Segurança Social e garantiu que uma iniciativa nesse sentido enfrentará uma forte contestação dos trabalhadores.
À margem de uma visita ao Porto de Abrigo de Sesimbra, no distrito de Setúbal, o secretário-geral do PCP classificou como um "ataque" as propostas apresentadas no relatório 'Reformar as Pensões em Portugal – Por um Sistema Sustentável, Adequado e Justo – um Contrato entre Gerações'. Para Raimundo, está em causa uma tentativa de abrir caminho à transferência das contribuições dos trabalhadores para "as mãos do capital especulativo".
Apresentado na terça-feira, o estudo defende, entre outras medidas, a adoção automática de planos de pensões profissionais. Propõe ainda alterações à penalização das reformas antecipadas, novos instrumentos de dívida pública de retalho destinados a complementar as pensões e a criação de uma conta de poupança para a reforma dirigida aos jovens.
O Governo já assegurou, contudo, que não pretende realizar uma reforma estrutural da Segurança Social nesta legislatura e considera o processo encerrado, encarando o relatório apenas como um contributo para o debate público.
Paulo Raimundo mostrou-se cético perante essa garantia e acusou o Executivo da AD de procurar satisfazer interesses dos "grandes grupos económicos". O líder do PCP estabeleceu ainda um paralelo com a contestação à reforma laboral, defendendo que, perante uma eventual mudança no sistema de pensões, a resposta dos trabalhadores voltará a ser "clara e firme".

















