Djalma Júnior, de 56 anos, e Marluci Bellini (49), condenados no Brasil a 17 anos e meio de prisão por tortura e abusos cometidos contra utentes de um centro de reabilitação, foram detidos em Portugal e aguardam agora uma decisão sobre a extradição.

Os dois estavam no País há vários anos e levavam vidas aparentemente comuns. Djalma trabalhava como psicólogo numa escola em Alcabideche, Cascais, tinha contacto regular com crianças e famílias e chegou a participar em palestras sobre prevenção do bullying. Era também autor de livros direcionados para pais de adolescentes e integrava a Ordem dos Psicólogos.

Já Marluci Bellini vivia nos Açores, onde dava aulas de zumba no concelho do Nordeste, na ilha de São Miguel. O casal separou-se em 2017, mas terá mantido contacto ao longo dos anos.

A detenção, formalizada pela Polícia Judiciária (PJ) a pedido das autoridades brasileiras, aconteceu após ambos terem sido condenados, em junho, pelos crimes praticados num centro de reabilitação em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. Após a sentença, os nomes dos dois passaram a constar da lista de procurados da Interpol.

Segundo a investigação brasileira, 24 pessoas terão sido vítimas de agressões físicas, humilhações, administração de medicamentos sem prescrição e abusos sexuais. Entre os métodos descritos estão agressões com socos e objetos de madeira, bem como o recurso a instrumentos em episódios de violência sexual.

Os utentes eram ainda amarrados e colocados em espaços com o chão molhado e escorregadio. Outra forma de castigo passava por obrigá-los a permanecer durante horas sentados a olhar para árvores, sendo acordados de forma violenta caso adormecessem. As vítimas seriam vigiadas permanentemente através de câmaras.

Djalma já tinha sido alvo de uma operação policial em 2014 e terá saído do Brasil por receio de ser detido, instalando-se depois em Portugal. Marluci acompanhou-o. Durante cerca de 12 anos, ambos conseguiram manter-se no país sem levantar suspeitas entre as pessoas com quem conviviam.

O casal tem duas filhas, que viviam com a mãe nos Açores. A notícia das detenções surpreendeu colegas e conhecidos, que desconheciam o passado judicial dos dois no Brasil.

No mesmo processo foram ainda detidos um sobrinho de Djalma e uma médica. O sobrinho terá chegado a viver em Portugal antes de regressar ao Brasil, onde acabou por ser preso.

As defesas de Djalma e Marluci não esclareceram, até ao momento, se pretendem contestar o pedido de extradição.