Os trabalhadores portugueses poderão chegar à reforma com uma pensão bruta equivalente a apenas 58% do último salário, caso tenham uma carreira contributiva de 40 anos e recebido uma remuneração média. A projeção consta do trabalho desenvolvido pelo grupo criado para analisar a sustentabilidade da Segurança Social e aponta para uma redução de cerca de dez pontos percentuais na taxa de substituição entre 2025 e 2065.

Em termos líquidos, depois de considerados os impostos e as contribuições, a primeira pensão deverá representar aproximadamente 70% do último vencimento. A perda será, ainda assim, significativa e poderá atingir 13 pontos percentuais em algumas carreiras completas. Os cálculos partem de um crescimento real dos salários de 2% ao ano e de uma trajetória média da inflação.

O relatório conclui que a redução do valor relativo das pensões é praticamente inevitável em todos os cenários analisados. A evolução demográfica, o envelhecimento da população e a diminuição do número de trabalhadores por pensionista aumentam a pressão sobre o sistema. A mensagem para quem está hoje no mercado de trabalho é clara: poupar para a reforma deixará de ser apenas prudente e poderá tornar-se indispensável.