Os trabalhadores do Conta Lá cansaram-se de esperar pelas promessas de Maurício Ribeiro e Sérgio Figueiredo, os proprietários do canal. Com quatro a cinco meses de salários em atraso, mais de meia centena prepara-se agora para requerer ao Tribunal de Comércio a insolvência da empresa. É a última esperança de recuperarem parte do dinheiro que lhes é devido, através do Fundo de Garantia Salarial. O projeto televisivo agoniza, afogado em dívidas superiores a cinco milhões de euros.
Os primeiros atrasos, como o 24Horas revelou, começaram em maio. Alguns trabalhadores, sobretudo os que auferem salários mais baixos, terão recebido em setembro, mas a maioria continua com quatro a cinco meses de remunerações por pagar.
O grupo de trabalhadores que pretende avançar com a insolvência já terá escolhido o escritório de advogados que tratará do processo.
Despedir agora, pagar depois
A situação laboral do Conta Lá vinha a degradar-se há meses. A empresa chegou a propor a vários jornalistas uma solução singular: dispensá-los e pagar as verbas devidas pela cessação dos contratos ao longo de 18 meses.
Num e-mail a que o jornal teve acesso, o advogado Rui Rego comunicou aos profissionais abrangidos que os seus lugares “não estão contemplados na equipa que dará continuidade ao projeto”. Em resumo, quem perdia o emprego era ainda convidado a dar crédito, durante um ano e meio, à empresa que o dispensava.
Entretanto, também os diretores manifestaram a intenção de abandonar funções. A Comissão de Gestão eleita em agosto, composta por Paulo Rego, pelo irmão Rui Rego e por Diogo Alexandre, nem sequer chegou a tomar posse.
As dívidas acumularam-se, engrossou a fila de credores — com as Finanças e a Segurança Social à cabeça — e falharam sucessivas tentativas de financiamento. Os cinco milhões de euros que os responsáveis esperavam obter através do Banco Português de Fomento nunca chegaram. Também as promessas de investimento provenientes de Macau ficaram por concretizar.
Agora, são os próprios trabalhadores que se preparam para pedir a insolvência da empresa. Depois de tantos milhões prometidos, procuram nos tribunais uma forma de receber aquilo que lhes é devido.
Os milhões nunca chegaram. Os salários também não.

















