O crescimento do Chega nas sondagens e a acentuada perda de terreno da Aliança Democrática estão a relançar, nos meios políticos próximos do PSD e do PS, a discussão sobre um eventual regresso do chamado Bloco Central, uma solução que permitiria afastar André Ventura do poder e evitar uma futura aliança governativa entre sociais-democratas e o Chega.
O mais recente barómetro da Aximage, divulgado pelo Diário de Notícias, coloca o partido de Ventura na liderança, com 30,7 por cento, seguido do PS, com 28,9%, enquanto a AD cai para 21,7 pontos percentuais. Números que, embora sujeitos à margem de erro, ilustram uma profunda alteração do equilíbrio político português.
É neste contexto que antigos dirigentes e personalidades ligadas aos dois partidos tradicionais voltam a admitir entendimentos mais duradouros entre PS e PSD, recuperando uma fórmula que marcou a política portuguesa nos anos 80, durante o governo de Mário Soares e Mota Pinto.

A hipótese está, contudo, longe de reunir consensos. Sebastião Bugalho, porta-voz do PSD, já advertiu que um entendimento dessa natureza seria precisamente o sonho de André Ventura, por permitir ao Chega apresentar-se como única alternativa ao sistema.
E eis que surge Centeno...
Mas a discussão cruza-se também com movimentações no interior do Partido Socialista, onde Mário Centeno começa a ser apontado como potencial candidato à sucessão de José Luís Carneiro.
O antigo ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal intensificou a presença pública, lançou o livro ‘Contas Certas’ e multiplicou críticas ao governo, sem poupar algumas opções da atual liderança socialista. A apresentação da obra, que contou com a presença de António Costa e de várias figuras próximas do antigo primeiro-ministro, alimentou especulações sobre as suas ambições políticas.
Embora não exista uma candidatura formal, há quem veja em Centeno um perfil capaz de facilitar entendimentos ao centro, numa eventual recomposição do sistema partidário.
Para já, o bloco central continua a ser mais uma hipótese política do que um projeto concreto. Mas uma coisa parece evidente: quanto mais Ventura cresce e Montenegro perde terreno, maior é a pressão sobre os dois partidos que dominaram a democracia portuguesa durante cinco décadas.

















