O primeiro-ministro, Luís Montenegro, de 53 anos, aproveitou esta quinta-feira, dia 16, a abertura do debate do Estado da Nação, na Assembleia da República, para lançar um ataque cerrado ao PS e ao Chega, acusando os socialistas de terem ocultado a dimensão da imigração em Portugal, durante os últimos anos, e o partido de André Ventura de se aliar aos socialistas para travar a ação do Governo.

Dirigindo-se ao secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, Montenegro questionou se o líder do PS tinha conhecimento do aumento da população imigrante enquanto integrava governos socialistas e acusou o partido de ter escondido a realidade durante os últimos dois anos.

Segundo o primeiro-ministro, os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontam para uma população residente superior a 11,4 milhões de habitantes, vieram "destapar" a verdadeira dimensão da imigração, alterando a leitura sobre a evolução da riqueza produzida por habitante e da convergência económica com a União Europeia.

"Os números do INE destaparam o jogo", afirmou, defendendo que o crescimento populacional explica que Portugal não tenha registado uma evolução da riqueza per capita tão favorável como era apresentada pelos anteriores governos.

Montenegro dirigiu depois as críticas ao Chega, acusando o partido liderado por André Ventura de se ter "lançado para os braços do PS", por "imaturidade ou irresponsabilidade", para procurar governar a partir do parlamento.

O chefe do Executivo apontou como exemplo as votações conjuntas entre os dois partidos em matérias como o IRS, a eliminação de portagens, as propinas, o prémio salarial para jovens, as pensões ou a redução do IVA da eletricidade, considerando que PS e Chega têm procurado condicionar a ação governativa através de entendimentos parlamentares.

Na resposta às críticas da oposição, Montenegro rejeitou ainda as acusações de falta de sensibilidade social. Considerou que PS e Chega "rivalizam na irresponsabilidade" e recorrem à criação de "narrativas" por serem "incapazes de contrapor políticas coerentes e consistentes".

"Querem mesmo discutir a sensibilidade social com quem, como nós, atribuiu a comparticipação dos medicamentos a 100% para idosos?", questionou, enumerando várias medidas adotadas pelo Executivo nas áreas da proteção social, dos rendimentos e da saúde.

"Em matéria de sensibilidade social, humanidade e empatia, os resultados já foram publicados", declarou o líder da AD, contrapondo que PS e Chega "enchem a boca de proclamações", mas acabam por ficar "do lado da injustiça e da insensibilidade social".