O feriado do Corpo de Deus (Corpus Christi) ficou marcado pela ausência de Luiz Inácio Lula da Silva na 34.ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo. Numa conversa telefónica mantida com o líder e fundador do evento, o apóstolo Estevam Hernandes, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, o Chefe de Estado brasileiro explicou que a sua decisão visou impedir leituras eleitorais ou o aproveitamento político do ato religioso.

"Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada."

Estas palavras de Lula da Silva foram partilhadas nas plataformas digitais por Jorge Messias, que assumiu a representação oficial do Palácio do Planalto no encontro. Durante o mesmo contacto telefónico, o Presidente da República fez questão de sublinhar a sua ligação de longa data ao evento, relembrando que foi precisamente em 2009, ao longo do seu segundo mandato presidencial, que promulgou o decreto-lei que oficializou o Dia Nacional da Marcha para Jesus.

A presença de Jorge Messias neste evento ganha uma relevância política acrescida devido ao seu recente histórico com o poder legislativo. Messias tinha sido o escolhido de Lula da Silva para ocupar uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF), mas viu o seu nome ser chumbado pelo Congresso brasileiro (numa votação conduzida pelo Senado).

Esta negativa representou um momento histórico no país, uma vez que a rejeição de um nome indicado pelo Presidente da República para a alta corte não acontecia no Brasil há 132 anos — o último caso tinha registado em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto.

Apesar desta derrota parlamentar, fontes ligadas ao Palácio do Planalto asseguram que o Presidente Lula não desistiu do seu aliado e pretende voltar a indicar Jorge Messias para o STF numa próxima oportunidade.

É precisamente neste cenário de reaproximação e consolidação de apoios que se justificam as sucessivas aparições públicas de Messias em grandes eventos de massas, numa tentativa estratégica de melhorar a sua imagem institucional e pavimentar o caminho para uma futura aprovação no Congresso.

Crédito: oglobo