Os corpos das seis pessoas que morreram no desabamento de um prédio em construção na Penha, na zona leste de São Paulo, serão transportados para a Bolívia, onde as famílias pretendem realizar os sepultamentos. A informação foi divulgada neste domingo (13), após o Corpo de Bombeiros localizar e retirar a última vítima dos escombros.
O desabamento aconteceu por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici. O prédio em construção caiu sobre uma casa vizinha, onde vivia uma família de imigrantes bolivianos. Oito pessoas estavam no imóvel no momento da tragédia. Seis morreram e duas foram resgatadas com vida, um homem e uma criança, ambos com ferimentos ligeiros. Com a localização da última vítima, as buscas foram encerradas e não há mais desaparecidos.
As seis vítimas eram de origem boliviana e viviam em São Paulo havia cerca de nove anos. Elas estavam na casa atingida pelo desabamento no momento em que o prédio em construção veio abaixo. Os corpos serão transportados para a Bolívia, atendendo ao pedido dos familiares.
A operação de resgate mobilizou dezenas de bombeiros e militares, além de viaturas e um cão especializado em buscas. As equipas trabalharam durante mais de 24 horas até conseguirem localizar todas as vítimas.
Além da tragédia, as autoridades investigam as condições da construção. Segundo a Prefeitura de São Paulo, o imóvel tinha um histórico de irregularidades, incluindo interdições, multas e uma ação judicial iniciada em 2021 para impedir o avanço da obra.
Um novo projeto recebeu autorização em 2023, mas estava condicionado à demolição de uma estrutura que já existia no terreno. Uma vistoria realizada posteriormente registou que a demolição teria sido realizada. A Prefeitura, contudo, afirma que as apurações indicaram que a estrutura anterior não teria sido demolida.
A servidora municipal responsável pelo documento foi afastada por 30 dias enquanto a Controladoria-Geral do Município apura o caso. A investigação deverá esclarecer se houve falhas no processo de fiscalização e emissão da documentação.
A Polícia Civil também investiga os responsáveis pela obra. Um dos sócios da construtora responsável pelo empreendimento foi preso temporariamente, enquanto outros dois investigados são alvo de mandados de prisão.
A defesa dos responsáveis pela construção contesta parte das acusações e afirma que uma decisão judicial teria permitido a continuidade da obra. As causas exatas do desabamento ainda serão determinadas pela perícia, que deverá apontar se houve falhas estruturais e eventuais responsabilidades pelo acidente.

















