São Paulo enfrenta este sábado, 12 de setembro, um dia marcado por chuva intensa, inundações, cortes de trânsito e perturbações nos transportes públicos. A situação afetou várias zonas da capital paulista e da região metropolitana, com equipas de emergência mobilizadas para responder às ocorrências.

Um dos casos mais graves aconteceu durante a madrugada, na Penha, na Zona Leste da cidade, onde um edifício em construção ruiu sobre uma habitação. Duas mulheres morreram na sequência do desabamento. Uma das vítimas estava grávida.

As equipas do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para o local e continuam os trabalhos de busca entre os escombros. Os operacionais procuram verificar se existem outras possíveis vítimas no local. A operação envolve dezenas de bombeiros e várias viaturas de emergência.

O desabamento ocorreu na Rua Tequici, por volta das duas da madrugada. A estrutura atingiu uma casa, imóveis vizinhos e uma praça próxima. Entre as pessoas atingidas estavam também crianças.

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, a obra encontrava-se embargada. No local foram identificados sinais de problemas estruturais, incluindo fissuras e afundamentos. As circunstâncias do desabamento serão apuradas.

A chuva intensa provocou também graves problemas na circulação rodoviária. A Marginal Tietê, uma das principais vias de São Paulo, ficou com vários troços interditados devido às inundações.

No sentido da autoestrada Castello Branco, foram registados bloqueios junto às pontes das Bandeiras, Casa Verde e Freguesia do Ó. Na zona da Ponte Atílio Fontana, as faixas central e expressa também ficaram interditadas.

No sentido da autoestrada Ayrton Senna, a faixa local foi bloqueada junto à Ponte Tatuapé. Os cortes provocaram longas filas de trânsito e deixaram automobilistas retidos durante várias horas.

A Marginal Pinheiros também foi afetada. No sentido Castello Branco, a faixa local ficou interditada junto à Rua Flórida. No sentido Interlagos, outro bloqueio foi registado na zona do Cebolão.

O nível do rio Tietê subiu devido ao elevado volume de precipitação. As autoridades acompanham a situação e mantêm recomendações para que os automobilistas evitem as zonas onde exista acumulação de água.

Os serviços de emergência alertam para o risco de atravessar zonas inundadas. A recomendação é procurar uma alternativa segura e não tentar passar com veículos por locais onde a água tenha atingido níveis elevados ou apresente correnteza.

O sistema ferroviário da região metropolitana sofreu igualmente perturbações durante a manhã.

A circulação da Linha 11-Coral foi interrompida entre Luz e Corinthians-Itaquera. Na Linha 12-Safira, a circulação ficou afetada entre Brás e Tatuapé.

O Expresso Aeroporto, serviço ferroviário que liga a zona central de São Paulo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, também teve a operação temporariamente suspensa.

As alterações obrigaram os passageiros a procurar alternativas para continuar as deslocações. Entre as opções indicadas estava a Linha 3-Vermelha do Metro.

A Linha 9-Esmeralda também circulava com intervalos superiores ao habitual entre Santo Amaro e João Dias, devido a uma inundação na região de Santo Amaro.

Os problemas nos comboios agravaram as dificuldades de mobilidade numa manhã em que várias das principais estradas da cidade já apresentavam cortes devido à chuva.

O mau tempo provocou dezenas de ocorrências em São Paulo e nos municípios da região metropolitana.

Segundo informações divulgadas pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros, foram registados casos de quedas de árvores, inundações, enchentes e desabamentos.

Entre a 1h40 e as 5h deste sábado, os bombeiros atenderam seis ocorrências relacionadas com quedas de árvores, 11 casos de inundações e enchentes e sete ocorrências de desabamento na capital e na região metropolitana.

A chuva também afetou o fornecimento de eletricidade. Mais de 21 mil endereços chegaram a ficar sem energia durante a manhã, segundo dados divulgados pelo iG com base em informações da Enel.

Entre as zonas afetadas estavam Vila Maria, na Zona Norte, e Parque do Carmo e Itaquera, na Zona Leste.

A combinação de chuva forte e rajadas de vento aumentou a possibilidade de quedas de árvores e outros incidentes. As autoridades mantêm as equipas de emergência mobilizadas para responder a novas ocorrências.

O volume de chuva acumulado durante setembro também chama a atenção.

Até este sábado, São Paulo tinha registado 196,2 milímetros de precipitação durante o mês, segundo dados do Centro de Gestão de Emergências Climáticas. O valor corresponde a cerca de 197% acima dos 66 milímetros previstos para todo o mês.

Caso as chuvas continuem nos próximos dias, setembro poderá ultrapassar o recorde de 198,6 milímetros registado em 2015.

As rajadas de vento também atingiram velocidades elevadas. A maior velocidade registada no estado chegou aos 92,6 quilómetros por hora, no município de Piraju. Na capital paulista, a rajada máxima chegou aos 51,5 quilómetros por hora.

Os dados ajudam a explicar a dimensão dos problemas registados durante a passagem da frente de instabilidade pelo estado.

A instabilidade não deverá terminar este sábado. A previsão meteorológica aponta para a continuidade das chuvas durante o fim de semana e também na segunda-feira, 14 de setembro.

Para este sábado, são esperados períodos de chuva moderada a forte, acompanhados por rajadas de vento. A temperatura máxima deverá permanecer abaixo dos 20 graus Celsius.

No domingo, a previsão indica chuva moderada durante a madrugada e precipitações generalizadas, entre moderadas e fortes, ao longo do dia.

As temperaturas deverão baixar, com valores entre os 14 e os 16 graus Celsius.

Na segunda-feira, a chuva deverá continuar, embora possam existir períodos de melhoria entre os episódios de precipitação. A previsão aponta para uma temperatura mínima de 14 graus e máxima de 17 graus.

A tendência é de redução gradual da instabilidade a partir de terça-feira, 15 de setembro.

O Instituto Nacional de Meteorologia mantém avisos de tempestade para diferentes áreas do estado de São Paulo. Entre os riscos previstos estão volumes elevados de chuva, ventos fortes e possibilidade de queda de granizo.

Perante a previsão de novas precipitações, a Defesa Civil recomenda que a população evite atravessar zonas inundadas ou com correnteza. Durante as tempestades, a orientação é procurar abrigo num local seguro e manter distância de árvores, postes, estruturas metálicas e outros elementos que possam representar perigo.

Os automobilistas são aconselhados a evitar as zonas onde existam inundações e a não tentar atravessar estradas cobertas de água. A visibilidade reduzida e a possibilidade de existirem obstáculos escondidos aumentam o risco de acidentes.

Para quem depende dos transportes públicos, a recomendação é acompanhar as informações das empresas responsáveis pela operação antes de iniciar uma deslocação, uma vez que novas ocorrências podem provocar alterações ou interrupções.

Na Penha, os trabalhos do Corpo de Bombeiros continuam concentrados nos escombros do edifício que ruiu durante a madrugada. As equipas procuram possíveis outras vítimas enquanto avançam com a remoção da estrutura e a verificação das áreas atingidas.

A capital paulista permanece, assim, sob atenção devido à previsão de novas chuvas. Depois de uma madrugada marcada por um desabamento com duas mortes e de uma manhã com inundações, cortes de trânsito, problemas nos comboios e interrupções no fornecimento de energia, as autoridades mantêm as equipas preparadas para responder a novas ocorrências.

A melhoria das condições meteorológicas só deverá começar de forma mais consistente a partir de terça-feira. Até lá, São Paulo continuará a enfrentar um cenário de instabilidade, com possibilidade de novos episódios de chuva forte, sobretudo nas zonas mais vulneráveis a inundações e deslizamentos.