A venda de veículos elétricos e híbridos registou, em Portugal, um forte aumento nos últimos meses, num contexto marcado pela instabilidade no Médio Oriente e pelos constantes aumentos dos preços dos combustíveis.
Entre o início de março e o final de maio, foram matriculados no País quase 29 mil veículos ligeiros exclusivamente elétricos ou híbridos, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP). Trata-se de um dos valores mais elevados de sempre e representa uma subida de 32% face ao mesmo período do ano passado.
A tendência é particularmente visível no segmento dos veículos 100% elétricos, que tem vindo a ganhar terreno no mercado nacional. O aumento do preço dos combustíveis surge como um dos fatores que pode estar a impulsionar esta procura. Desde o início do conflito no Irão, o gasóleo encareceu cerca de 17%, enquanto a gasolina subiu perto de 15%.
“É um fator, mas existem outros, como o facto de existirem cada vez mais modelos no mercado, o que leva os consumidores a terem uma maior opção de escolha. Gradualmente, a rede de carregamento tem vindo a reforçar-se, o que é um aspeto muito importante para quem tem necessidade de carregar o veículo”, explicou Hélder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP.
Apesar do pico recente, a ACAP sublinha que o crescimento já se vinha a verificar desde o início do ano. Atualmente, cerca de dois terços dos automóveis ligeiros vendidos em Portugal são elétricos ou híbridos, representando aproximadamente 74% do total, uma tendência que deverá manter-se nos próximos meses.
“Quanto mais modelos são colocados no mercado, mais os preços tendem a descer. E a União Europeia prevê que haja um modelo europeu de valores mais reduzidos para poder competir neste mundo global da indústria automóvel. Portanto, necessariamente, nos próximos tempos haverá um acesso a esse tipo de veículos com valores mais em conta para a realidade de alguns países, como Portugal”, acrescentou o responsável.
No plano das políticas públicas, o Governo prepara o lançamento de um novo programa de apoio à compra de veículos elétricos. As candidaturas deverão abrir na quinta-feira, dia 11 e contar com uma dotação global de 10 milhões de euros. O apoio poderá chegar aos 4 mil euros por pessoa e aos 5 mil euros no caso de instituições de solidariedade social.

















