Mais de seis meses depois de a tempestade 'Kristin' ter deixado um rasto de destruição na região Centro, António José Seguro, de 64 anos, considera que é altura de perceber o que mudou e, sobretudo, o que falta fazer para que o País esteja mais preparado perante fenómenos meteorológicos extremos. O Presidente da República anunciou esta sexta-feira, dia 14, na Batalha, que pretende voltar ao relatório elaborado após a catástrofe e avaliar a aplicação das recomendações entretanto apresentadas.

“Foi produzido um relatório que, daqui a algum tempo, irei retomar para fazermos um ponto de situação e avaliarmos as medidas preventivas para enfrentarmos futuras tempestades”, afirmou, durante as comemorações do Dia do Município da Batalha.

Para o chefe de Estado, os acontecimentos do início do ano deixaram claro que Portugal tem de acelerar a preparação para situações deste género. O “presente sinaliza, todos os dias, novos perigos e com uma intensidade inédita”, recordou, antes de deixar um aviso: “Não temos tempo a perder e, em algumas dimensões, partimos atrasados.”

Seguro recordou a passagem da 'Kristin', a 28 de janeiro, e reconheceu que o “Estado não estava preparado para enfrentar tanta devastação”. O Presidente visitou posteriormente algumas das zonas atingidas e diz ter testemunhado “o desespero de muita gente”, perante ventos que chegaram a atingir os 200 quilómetros por hora.

Na intervenção, destacou ainda o trabalho desenvolvido por bombeiros, forças de segurança, profissionais de saúde, instituições sociais e técnicos responsáveis pelo restabelecimento de eletricidade, água e comunicações, dando especial ênfase ao papel das autarquias durante e depois da emergência.

A reconstrução, defendeu, deve também servir para rever a capacidade de resposta do País, desde equipamentos básicos, como geradores e sistemas de comunicação de emergência, até aos mecanismos financeiros disponíveis para apoiar rapidamente as populações e os municípios afetados.

Seguro apontou como exemplo a Câmara da Batalha, que recorreu a um empréstimo de cerca de quatro milhões de euros para responder aos estragos, considerando que o caso mostra a necessidade de “mais agilidade e de mais descentralização na tomada de decisões”.

O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém deixou ainda críticas à demora registada em algumas respostas. A atuação das seguradoras, “a lentidão das operadoras de comunicações e das redes elétricas” e a “falta de mão-de-obra para a reconstrução” são, na sua opinião, questões que devem ser analisadas.

Além da recuperação material, António José Seguro chamou a atenção para consequências menos visíveis nas populações, lembrando que “há muitas feridas por sarar e nem todas se veem nos telhados ou nas estradas”.

As tempestades 'Kristin', 'Leonardo' e 'Marta' atingiram Portugal continental entre o final de janeiro e fevereiro, provocando pelo menos 19 mortes, centenas de feridos e elevados danos em habitações, empresas e infraestruturas. Os prejuízos foram estimados em mais de 5,3 mil milhões de euros.