Há 10 anos, a carreira de Lionel Messi na seleção argentina parecia ter chegado ao fim. Depois de perder a final da Copa América de 2016 frente ao Chile, o astro argentino, na altura com 29 anos, anunciou que deixaria a equipa nacional. Era a quarta final perdida com a Argentina, depois da Copa América de 2007, do Mundial de 2014 e da Copa América de 2015.

Na altura, a decisão caiu como um terramoto no futebol mundial. Messi, que carregava às costas o peso de um país habituado a medir génios pela capacidade de ganhar, deixava escapar a frustração acumulada: "Tentei tudo. Foram quatro finais e não consegui ganhar. Queria mais do que ninguém conquistar um título com a seleção, mas infelizmente não aconteceu", desabafou.

O adeus, porém, durou pouco. A pressão dos adeptos, dos colegas e de uma Argentina a desesperar por ajuda no apuramento para o Mundial 2018, fizeram o génio repensar a sua decisão. O que parecia ser o fim transformou-se no início de uma segunda história, desta vez escrita com títulos, redenção e estatuto de uma lenda imortal.

Desde então, o capitão argentino conquistou tudo o que durante anos lhe fugiu. Ganhou a Copa América em 2021, voltou a erguer o troféu em 2024, venceu a Finalíssima de 2022 diante de Itália e, acima de tudo, liderou a Argentina à conquista do Mundial de 2022, no Catar, o título que durante tanto tempo parecia faltar para fechar uma carreira brilhante.

Uma década depois daquele anúncio inesperado, Messi continua a contrariar o tempo. Aos 39 anos, no Mundial de 2026, voltou a ser decisivo e tornou-se o melhor marcador de sempre da história dos Campeonatos do Mundo, com 18 golos, ultrapassando Miroslav Klose. O recorde chegou depois do primeiro hat-trick da carreira em Mundiais, frente à Argélia, seguido de um bis diante da Áustria.

A 'pulga', que chegou a acreditar que talvez a seleção não fosse o seu destino, acabou por se transformar no maior símbolo do futebol argentino, ao lado de Maradona. Com 201 internacionalizações e 122 golos, Messi prolonga uma carreira que já parecia encerrada há dez anos e que, afinal, ainda tinha os capítulos mais importantes por escrever.

Crédito: leomessi