Jorge Messi, de 68 anos, morreu na madrugada deste sábado, dia 8, numa unidade hospitalar de Rosário, na Argentina. Segundo o Infobae, o pai de Lionel Messi (39) enfrentava uma doença prolongada.

Figura central na vida do capitão da seleção argentina, Jorge Messi teve um papel determinante na construção da carreira do filho, sobretudo durante os primeiros anos, quando Lionel ainda era adolescente e enfrentava problemas relacionados com o crescimento.

Foi o pai quem procurou garantir o tratamento hormonal de que o jovem necessitava quando jogava nas camadas jovens do Newell’s Old Boys e quem acompanhou Lionel na mudança para Barcelona. A família enfrentou então uma decisão difícil: enquanto Celia Cuccittini, mãe do futebolista, permaneceu em Rosário com os restantes filhos, Jorge seguiu para Espanha com Lionel.

A mudança acabaria por transformar a vida da família. Perante as dificuldades em conseguir na Argentina o tratamento de que o filho precisava, Jorge procurou uma solução na Europa e participou nas negociações que permitiram a chegada de Lionel ao Barcelona, quando este tinha apenas 13 anos.

O acordo com o clube catalão contemplou não só a integração do jovem jogador, mas também o tratamento médico, um salário, alojamento e apoio à família.

Anos mais tarde, Lionel Messi recordou o papel do pai nesse período de adaptação. Numa entrevista concedida em 2007, explicou que Jorge lhe deu liberdade para decidir se queria permanecer em Espanha ou regressar à Argentina.

“O meu pai perguntou-me o que queria fazer, se queria continuar ou se voltávamos. Eu quis continuar e ele ficou comigo”, recordou o jogador.

Para além do papel de pai, Jorge tornou-se também uma das figuras mais importantes na gestão da carreira de Messi. Durante anos, esteve envolvido nas negociações e na administração dos interesses profissionais do filho, incluindo contratos com algumas das maiores empresas internacionais.

Apesar da influência que exercia nos bastidores, Jorge Messi manteve uma postura discreta e raramente concedeu entrevistas. Ao longo dos anos, falou pontualmente com publicações como El Gráfico, Kicker e o programa espanhol Informe Robinson, preferindo manter-se afastado da exposição mediática.

Nas redes sociais, surgia sobretudo para assinalar conquistas de Lionel e partilhar momentos familiares.

Nos últimos meses, a ausência de Jorge começou a ser particularmente notada. Habitualmente presente junto da família durante grandes competições, não acompanhou o último Mundial, tendo Messi sido visto nas bancadas sobretudo ao lado da mulher, Antonela Roccuzzo (38), e dos filhos, Thiago (13), Mateo (10) e Ciro (8).

Durante o Campeonato do Mundo, Lionel Messi chegou mesmo a emocionar-se depois de marcar no primeiro encontro da competição. Questionado sobre as lágrimas, o futebolista explicou que atravessava uma fase difícil por motivos pessoais.

“É por uma questão totalmente alheia ao desporto, passei por dias difíceis e complicados. Estou grato a toda a delegação, que está sempre ao meu lado”, afirmou na altura.

Mais tarde, numa conversa com o antigo internacional argentino Juan Pablo Sorín (50), Messi esclareceu que a emoção estava relacionada com a família.

“Sim, sim... A verdade é que é mais pela família. Porque, bem, está sempre lá, sempre a acompanhar. Agora estamos num momento difícil”, confessou.

Pouco depois, a família informou que Jorge Messi estava “sob acompanhamento médico, a recuperar e a evoluir favoravelmente dentro do quadro que apresenta”.

A morte de Jorge Messi encerra assim uma presença discreta, mas decisiva, numa das carreiras mais marcantes da história do futebol.