O eclipse solar total de 12 de agosto promete ser um dos acontecimentos astronómicos mais marcantes das últimas décadas e, graças à tecnologia, poderá ser vivido de uma forma inovadora por pessoas cegas ou com deficiência visual.

O protagonista é o LightSound, um pequeno dispositivo desenvolvido por investigadores da Universidade de Harvard que transforma a luz do Sol em sons, permitindo "ouvir" a passagem da Lua em frente ao astro-rei.

O equipamento recorre a sensores para medir a intensidade da luz solar e converte essas variações em notas musicais. Quando o Sol está totalmente visível, são emitidos sons mais agudos. À medida que a Lua vai cobrindo o Sol, o tom torna-se progressivamente mais grave, atingindo a nota mais baixa durante a fase de eclipse total.

Com dimensões pouco superiores às de um telemóvel, o LightSound pode ser utilizado com auscultadores ou ligado a colunas, permitindo que várias pessoas acompanhem o fenómeno em simultâneo. Além disso, cria um verdadeiro "mapa sonoro" do eclipse ao registar todas as alterações de luminosidade.

O projeto integra a iniciativa 'Eclipse Inclusivo', promovida em Espanha pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), e já foi testado com sucesso em eclipses realizados nos Estados Unidos, Chile e Argentina.

Em Portugal, o eclipse será visível em todo o território continental. Embora a maior parte do País observe um eclipse parcial muito acentuado, a região de Montesinho, no nordeste transmontano, ficará na faixa de totalidade, onde o Sol desaparecerá completamente durante alguns segundos.

Esta inovação pretende tornar um dos fenómenos mais impressionantes da astronomia acessível a todos, provando que, por vezes, o céu também pode ser apreciado através do som.