Maricarmen Abascal, de 87 anos, morreu quarta-feira, dia 8, num hospital de Madrid, apenas duas semanas depois de ter sido despejada da casa onde viveu durante mais de sete décadas. A morte da idosa provocou uma onda de indignação em Espanha, levando milhares de manifestantes às ruas da capital para exigir soluções para a crise da habitação.
Despejada a 23 de setembro, Maricarmen tornou-se um símbolo da contestação que levou centenas de pessoas a acampar na praça Porta do Sol, desde 26 de setembro. "Não são mortes, são assassinatos", gritaram os manifestantes numa marcha até às imediações do Parlamento espanhol, onde foram chumbadas medidas para a habitação que precipitaram a queda do Governo de Pedro Sánchez e a convocação de eleições antecipadas para 29 de novembro.
Na Porta do Sol, flores, velas e mensagens multiplicaram-se em torno de uma fotografia da idosa com a frase "Não se despeja uma memória". "Maricarmen é um símbolo desta revolução", afirmou à Lusa Aitana, estudante de 26 anos que participa no acampamento: "Até se ver uma mudança real, não nos vamos mexer daqui."
Também Maripaz, de 67 anos, denunciou as dificuldades dos jovens: "Tenho um filho em casa de 26 anos, que trabalha, mas não consegue arranjar uma casa própria com o salário que recebe."
O acampamento, que já ocupa ruas próximas da praça, resistiu a duas tentativas de evacuação rejeitadas pelos tribunais.
Novas manifestações estão convocadas para Madrid e outras cidades espanholas, enquanto os protestos se alastram a Barcelona, Sevilha e Santiago de Compostela.

















