O governo de Pedro Sánchez sofreu esta sexta-feira, dia 2, uma pesada derrota no congresso espanhol, com o chumbo de dois decretos considerados fundamentais para responder à crise da habitação. As medidas foram rejeitadas depois de PP, Vox e Junts terem unido votos contra o executivo, num revés que agrava a instabilidade política e volta a colocar em cima da mesa a hipótese de eleições antecipadas.
O primeiro diploma, que incluía medidas extraordinárias de proteção contra despejos de pessoas vulneráveis, foi rejeitado por 178 votos contra e 172 a favor. O pacote ganhou particular visibilidade depois do despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, da casa onde viveu durante décadas, caso que desencadeou protestos e uma acampada na Puerta del Sol, em Madrid.
O segundo decreto, destinado a permitir a renovação automática dos contratos de arrendamento, também caiu: 184 deputados votaram contra e 166 a favor. Junts, decisivo para a sobrevivência parlamentar do executivo, recusou apoiar os diplomas e propôs ao Governo a negociação de um novo texto.
Antes da votação, Sánchez ainda tentou pressionar os partidos da oposição. “A história os julgará”, avisou, responsabilizando politicamente quem impedisse a aprovação das medidas.
O chumbo desencadeou novos protestos em Madrid, com milhares de pessoas nas ruas, e acentuou as dúvidas sobre a continuidade da legislatura. Dirigentes do próprio PSOE defendem que, perante a dificuldade crescente em reunir uma maioria parlamentar, deve ser ponderada a convocação de eleições antecipadas. No entanto, fontes próximas de Sánchez indicavam, antes da votação, que essa decisão não estava ainda a ser equacionada pelo chefe do Governo.

















