Espanha prepara-se para uma paralisação de dimensão nacional em plena crise social e política. CCOO e UGT, os dois maiores sindicatos do país, convocaram para 11 de novembro uma greve geral de 24 horas, centrada na crise da habitação e na perda de poder de compra dos trabalhadores. Será a primeira paralisação desta dimensão apoiada pelas duas centrais sindicais em 14 anos: a última aconteceu em 2012.
A greve acontecerá apenas 18 dias antes das eleições gerais antecipadas, marcadas para 29 de novembro, e dois dias antes do início oficial da campanha eleitoral. A proximidade das urnas está já a provocar críticas dos patrões e de setores políticos, que questionam o caráter laboral da convocatória.
A habitação está no centro da contestação. Depois de semanas de manifestações, CCOO e UGT decidiram transportar o protesto para os locais de trabalho, defendendo que os salários deixaram de ser suficientes para acompanhar o custo das casas e a inflação. A mobilização conta ainda com o Sindicato de Inquilinas e outras organizações sindicais.
A tensão aumentou depois da rejeição no Congresso de medidas do Governo para a habitação, num contexto de protestos e acampamentos, nomeadamente na Puerta del Sol, em Madrid.
Pedro Sánchez reconheceu a gravidade das dificuldades no acesso a uma casa e afirmou que o Executivo respeitará o direito constitucional à greve. Espanha chega, assim, à campanha eleitoral com a habitação transformada num dos grandes focos de contestação social e com a ameaça de o país parar a 11 de novembro.
Créditos: Sindicat d'Estudiantsps

















