Os Estados Unidos (EUA) anunciaram uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos importados do Brasil, reforçando a pressão comercial sobre as exportações brasileiras. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor esta sexta-feira, dia 24, e foi justificada pela alegada falta de mecanismos eficazes para impedir a entrada de bens produzidos recorrendo a trabalho forçado nas cadeias de abastecimento.
A nova tarifa soma-se à taxa de 25% já aplicada a vários produtos brasileiros, fazendo com que parte das exportações para o mercado norte-americano passe a enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5%. A decisão resulta de uma investigação conduzida ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos, que concluiu que o Brasil integra o grupo de países que, na avaliação de Washington, não aplicam controlos suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Apesar da nova sobretaxa, o governo norte-americano divulgou uma lista de 471 produtos que ficam isentos da medida. Entre eles encontram-se café, petróleo, gás natural, fertilizantes, madeira, sumo de laranja, derivados de açaí, aeronaves e componentes da Embraer, considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos.
Brasília reagiu de imediato, classificando a decisão como "arbitrária" e "injustificada". O Governo brasileiro garante que o país dispõe de legislação reconhecida internacionalmente no combate ao trabalho escravo e anunciou que irá recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade, além de ponderar uma contestação junto da Organização Mundial do Comércio (OMC).

















