A Procuradoria Federal do Distrito Sul da Florida, nos EUA, prepara-se para avançar, esta quarta-feira, dia 20, com uma acusação formal contra Raúl Castro, de 94 anos, baseada numa gravação de 1996, em que o então ministro das Forças Armadas Revolucionárias cubanas ordenaria o abate das avionetas da organização Hermanos al Rescate.

A frase, registada num áudio de 11 minutos e 32 segundos – "tumben las avionetas en el mar, cuando se aparezcan" –, é agora considerada pelos procuradores como prova direta de que a ordem para derrubar as aeronaves civis partiu do próprio Raúl Castro.

O caso remonta a 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização humanitária, que realizava missões de busca e salvamento de balseros no estreito da Florida, foram abatidos por caças MiG da força aérea cubana. O ataque provocou a morte de quatro civis e desencadeou uma crise diplomática entre Washington e Havana. Durante anos, o regime castrista sustentou que as aeronaves tinham violado o espaço aéreo do país, enquanto os Estados Unidos insistiram que o ataque ocorreu em águas internacionais.

Raúl Castro dificilmente enfrentará um julgamento presencial, mas, para familiares das vítimas e organizações do exílio, o avanço do processo representa um passo importante no reconhecimento da responsabilidade do Estado cubano no ataque. Especialistas consultados pelas autoridades norte‑americanas validaram a autenticidade da gravação, reforçando a tese de que a decisão de derrubar as avionetas não foi tomada por pilotos ou comandantes intermédios, mas, sim, ao mais alto nível da hierarquia militar.

O caso, que já tinha sido analisado pela justiça norte‑americana nos anos 90, ganha assim novo impulso, alimentado tanto pela conjuntura política atual como pela persistência das famílias das vítimas, que há três décadas exigem responsabilização.