As principais televisões dos EUA (ABC, CBS, NBC e Fox News) recusam-se, desde esta segunda-feira, dia 21, a cobrir a agenda de Donald Trump através do pool da Casa Branca. Fazem-no em solidariedade com a CNN, que o Presidente norte-americano baniu da Casa Branca na sexta-feira, dia 18. No mesmo dia, a CNN, a MS NOW (antiga MSNBC) e o Politico processaram Trump num tribunal federal em Washington.

O boicote começa no mesmo dia em que Trump viaja para Nova Iorque, onde discursa esta terça-feira, dia 22, na Assembleia Geral da ONU. Era à CNN que cabia acompanhar a deslocação no turno de hoje. "Informamos que, a partir de hoje, o pool televisivo não fará a cobertura dos eventos do Presidente designados como cobertura de pool", escreveu Bryan Boughton num e-mail citado pela CNN. Boughton é diretor da delegação da Fox News em Washington e atual coordenador do pool. "Isto surge na sequência da posição da Casa Branca de impedir a CNN de cumprir as funções de pool que lhe estavam atribuídas. Não haverá pool de substituição."

O pool é um sistema rotativo: uma só equipa acompanha o Presidente e partilha as imagens com as restantes redações. "Quando o Presidente fizer alguma coisa hoje, não haverá nenhuma câmara de televisão com ele a transmitir e a partilhar essas imagens", resumiu a jornalista da CNN Kaitlan Collins.

Numa declaração conjunta, as cinco estações, incluindo a CNN, defendem que "o público tem um interesse vital em receber informação rigorosa e independente sobre o seu governo". Acrescentam que "nenhuma administração deve restringir um órgão de comunicação social por se opor às suas notícias".

Trump respondeu na Truth Social: "A Casa Branca não está a desencadear um ataque à Imprensa Livre, algo que prezo. Está a desencadear um ataque às FAKE NEWS, algo que cresceu como um Cancro nos nossos amados Estados Unidos da América." Chamou às notícias falsas "corruptas", "totalmente descontroladas" e "uma ameaça à nossa Segurança Nacional", e disse que é preciso travá-las "JÁ!".

Além de Trump, o processo visa a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o diretor de comunicação, Steven Cheung, e o diretor dos Serviços Secretos, Sean Curran. Os três órgãos invocam a Primeira Emenda, que protege a liberdade de imprensa. Invocam também a Quinta Emenda, por terem sido afastados sem aviso prévio nem qualquer processo. Pedem uma providência cautelar que lhes devolva as credenciais. "Esta proibição não podia ser um ataque mais direto à Primeira Emenda nem uma violação mais flagrante dos nossos princípios constitucionais mais fundamentais", lê-se no processo. Theodore Boutrous, advogado principal do caso, diz que "o Presidente foi explícito": a proibição destina-se a "punir o jornalismo de que não gosta e a intimidar jornalistas".

Na sexta-feira, Trump anunciou na Truth Social que estava a banir "com efeito imediato" a CNN, a MS NOW e o Politico da Casa Branca. Acusou-os de escreverem e noticiarem "FICÇÃO e MENTIRAS" e deixou um aviso: "Seguir-se-ão outros órgãos de comunicação Fake News." Questionado na Sala Oval, justificou: "Porque são fake news. Uma pessoa cansa-se tanto de ler e ver fake news."

No sábado, a proibição passou à prática. Jornalistas dos três órgãos foram impedidos de entrar e ficaram com as credenciais permanentes desativadas ou apreendidas. Entre eles estavam Betsy Klein (CNN), Akayla Gardner (MS NOW) e Cheyenne Haslett (Politico).

A Associação de Correspondentes da Casa Branca é presidida por Jacqui Heinrich, também da Fox News. A associação avisou que "um critério usado para excluir um órgão de comunicação social por causa da sua cobertura pode ser aplicado a qualquer outro no futuro".

Não é a primeira vez que Trump fecha a porta a jornalistas. Em 2018, no primeiro mandato, a CNN foi a tribunal e recuperou a credencial do correspondente Jim Acosta. Em 2025, a Associated Press foi afastada da Sala Oval e do Air Force One por se recusar a trocar "Golfo do México" por "Golfo da América". Esse processo continua pendente.