A Fincantieri prepara-se para ficar dos dois lados de um dos maiores negócios militares realizados pelo Estado português nos últimos anos: vende as fragatas e entra na estrutura que irá operar o estaleiro onde esses mesmos navios serão mantidos.
Portugal vai pagar cerca de 3,9 mil milhões de euros por três fragatas FREMM EVO construídas pelo grupo italiano. Agora, o Governo anuncia que a Fincantieri constituirá com a pública idD Portugal Defence uma joint venture destinada a revitalizar, modernizar e posteriormente operar, por subconcessão do Estado, o Arsenal do Alfeite.
A coincidência é particularmente relevante porque o próprio Ministério da Defesa já garantiu que a sustentação das novas fragatas — incluindo navios, sistemas e armas — será integralmente feita em Portugal, no quadro da revitalização do Alfeite. Segundo a tutela, essa sustentação poderá representar mais de 85 por cento do valor global do ciclo de vida dos meios.
Na prática, o fabricante dos navios passa também a integrar a entidade responsável pela operação da infraestrutura onde uma parte fundamental da sua manutenção deverá ocorrer.
O Governo apresenta a solução como uma parceria estratégica destinada a recuperar um estaleiro que atravessa dificuldades há vários anos. Mas permanecem sem resposta questões essenciais: qual será a participação da Fincantieri na nova sociedade, quem terá o controlo efetivo da gestão, durante quanto tempo vigorará a subconcessão e quais serão exatamente os fluxos financeiros associados à manutenção das fragatas.
Num negócio já marcado por dúvidas sobre custos, retorno industrial e condições contratuais, a entrada da Fincantieri no Alfeite acrescenta agora outra dimensão: o fornecedor deixa de estar apenas à porta do Arsenal. Passa a estar dentro dele.

















